A startup portuguesa Pollen está a desenvolver um sistema inovador de baterias universais e substituíveis para motociclos elétricos, que inclui um modelo de subscrição que permite aos utilizadores trocar a bateria descarregada por uma com carga completa em poucos segundos.
O objetivo é superar um obstáculo à adoção deste tipo de veículos: o longo tempo de carregamento.
No podcast Made in Portugal, do ACP, Rui Bento e Miguel Morgado, co-fundadores da Pollen, explicam que a bateria da Pollen distingue-se por ser universal, ou seja, funciona para qualquer moto de qualquer marca. Só assim é possível promover uma troca rápida da bateria.
“Esta bateria é uma bateria que tem duas particularidades que a tornam diferente das baterias habituais. A primeira é ser uma bateria trocável e a segunda é ser uma bateria universal”, afirma Rui Bento.
A solução foi concebida para responder às necessidades do mercado europeu, onde a diversidade de fabricantes e modelos dificulta a implementação de sistemas fechados de troca de baterias.
“Percebemos imediatamente que tínhamos que ir para um modelo em que uma bateria funcionasse em todas as motas”, explica Miguel Morgado.
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Tecnologia desenvolvida em Portugal
As baterias da Pollen é desenhada e montada em Portugal, embora tenha componentes importados da Ásia. A empresa destaca o elevado nível de engenharia envolvido no projeto, nomeadamente a capacidade de adaptar automaticamente a tensão de funcionamento a diferentes modelos de motociclos.
De acordo com Miguel Morgado, a tecnologia inclui um sistema de electronic self-switching, atualmente em processo de patenteamento, que identifica a moto onde a bateria é instalada e ajusta automaticamente os parâmetros necessários.
“Independetemente da moto, [a bateria] identifica-a e insere a tensão correta na própria”, detalha.
Cada módulo oferece uma autonomia real de cerca de 25 a 30 quilómetros, sendo possível combinar várias baterias no mesmo veículo para atingir autonomias próximas dos 100 quilómetros em scooters equivalentes a 50 cc.
Modelo de subscrição dirigido a frotas
Numa fase inicial, a Pollen está focada em empresas e operadores de frotas urbanas, nomeadamente serviços de entregas e logística de última milha. O modelo de negócio assenta numa subscrição mensal que dá acesso à rede de estações de troca da empresa.
“Estamos muito focados nos utilizadores que usam a moto para trabalhar”, revela Rui Bento.
Atualmente, a startup opera em parceria com a Galp e conta já com várias estações em funcionamento na região de Lisboa, prevendo expandir a rede para Espanha num futuro próximo.
Mercado ainda por conquistar
Apesar do crescimento da mobilidade elétrica, os fundadores reconhecem que a eletrificação das duas rodas continua muito atrasada na Europa.
Segundo Rui Bento, existem cerca de 55 milhões de motos no continente, das quais apenas uma pequena fração é elétrica.
A empresa acredita que o sistema de troca rápida de baterias pode desempenhar um papel decisivo na transição energética do setor, reduzindo simultaneamente os custos de utilização e o tempo de inatividade dos veículos.
“Carregar oito horas passa a ser uma troca de segundos”, sublinhou Rui Bento.
Visão para o futuro
Os fundadores defendem que o modelo de battery swapping vai ser a solução dominante para motociclos elétricos nas cidades, devido às limitações técnicas e de espaço associadas ao carregamento ultrarrápido neste tipo de veículos.
Além da expansão da rede de estações, a Pollen pretende aumentar a compatibilidade da sua bateria com mais fabricantes e colaborar diretamente com marcas interessadas em desenvolver novos modelos elétricos preparados de origem para sistemas de troca rápida.
Para Rui Bento, a evolução das cidades vai passar inevitavelmente pela descarbonização da mobilidade urbana e pela adoção crescente de veículos leves de baixas emissões.
“É uma questão de tempo até termos cidades como Lisboa e Porto (...) a limitar veículos a combustão nos centros urbanos”, conclui.