Cuidados e prevenção de quedas nos idosos

Conheça e minimize os fatores de risco de acidentes domésticos

Sabia que segundo dados da Direção-Geral da Saúde, os indivíduos com mais de 65 anos costumam cair pelo menos uma vez por ano e que 90% das pessoas com mais de 75 anos sofrem quedas?

As quedas são um dos tipos de acidentes domésticos mais graves nos idosos. Isto porque, com o avançar da idade, as estruturas ósseas e musculares, bem como as articulações, ficam debilitadas e levam muito mais tempo a recuperarem. É crucial conhecer os fatores de risco de quedas em idosos e aprender a evitá-los.

Fatores de risco

As quedas em idosos raramente têm um fator de risco único. Geralmente, são causadas pela interação de fatores intrínsecos (refletem o estado de saúde do idoso - o equilíbrio, a visão, a audição e a força muscular) e extrínsecos (fatores de risco externos à pessoa, ligados à vida e ao ambiente em que se move cada indivíduo).

Uma vez que a maioria das quedas, nesta faixa etária, acontece em casa, abordamos pormenorizadamente os fatores extrínsecos. O objetivo é identificar os perigos mais comuns e sensibilizar para a adaptação dos ambientes quotidianos, por forma a diminuir o risco de quedas e promover uma melhor qualidade de vida.

Cuidados diários

Para que o lar continue a ser o nosso refúgio seguro, devem ser tomadas medidas preventivas. Para isso, há que conhecer todos os cantos à casa e cumprir regras específicas.

Casa de banho

- Mantenha o chão seco e use tapetes antiderrapantes ao sair do banho. Desta forma, diminui o risco de se desequilibrar e, consequentemente, de cair.

- Desimpeça os acessos, principalmente se tem mobilidade reduzida, e use auxiliares de marcha (canadianas, andarilho...). Ao ter este cuidado, previne o risco de quedas.

- Se for possível, no acesso à casa de banho, coloque barras de apoio fixas na parede. Esta estratégia permite que se possa deslocar com maior segurança.

- Certifique-se que tem por perto todos os produtos de higiene, assim como a roupa que vai usar.

- Os indivíduos recém-operados (à anca, aos joelhos...) ou que sofram das articulações ou de fraqueza muscular devem privilegiar o banho sentado, prevenindo desequilíbrios e/ou tonturas. A substituição da banheira por um polibã melhora, também, o acesso ao banho.

- Nunca tranque a porta por dentro. Isto porque, se se sentir indisposto, é necessário permitir a entrada de terceiros. Consequentemente, ter um telefone por perto também se torna uma medida eficaz contra acidentes domésticos.

 Cozinha

- Antes de mais, a cozinha deve ser um espaço com boa circulação. Tudo deve estar o mais arrumado possível para, desta forma, evitar qualquer problema.

- Muito cuidado com o derrame de líquidos ou com os tapetes escorregadios. Nestes casos, deve ter atenção redobrada.

- Evite ter loiças em armários altos. Idealmente, tudo deve estar à altura dos olhos.

- Privilegie sempre uma boa luminosidade para permitir a visualização de potenciais riscos.

Sala e quartos

- Roupas, sapatos e acessórios devem estar arrumados. O mesmo acontece com os elementos decorativos. O recomendável é que tudo esteja no lugar e que permita boa circulação.

- A luminosidade também deve ser a melhor possível. Contudo, à noite, para o caso de sentir necessidade de se levantar, deve utilizar luzes de presença.

- Nunca se esqueça que, também aqui, os tapetes devem ser antiderrapantes.

Corredores

- Garanta corredores com espaços livres e mais desimpedidos, principalmente se usar canadianas ou andarilho. Lembre-se que os corredores são locais de passagem e, por isso, devem estar desobstruídos.

- A mobília deve ter dimensões pequenas e estar encostada à parede. E porque nunca é demais relembrar, a livre circulação previne possíveis quedas.

- A iluminação dos corredores deve estar estrategicamente definida, particularmente as zonas que são usadas durante a noite (cozinha e casa de banho).

Atenção redobrada

Estes são alguns dos cuidados mais importantes a ter em conta no dia-a-dia.

Lembre-se que os cuidados devem ser maiores à noite. Este é o período em que as alterações cognitivas e motoras dos idosos poderão estar alteradas, quer pela medicação para dormir, quer pelo próprio sono. Consequentemente, os tempos de reação estão alterados, os desequilíbrios aumentam e a queda torna-se eminente.

Cuide de si

Não permita que a rotina do dia-a-dia distraia dos pequenos cuidados que podem ter um grande significado para a sua saúde. Cuide de si e lembre-se: prevenir é melhor que remediar.

Se estas sugestões não forem suficientemente preventivas, e caso tenha sofrido uma queda, é importante que informe o seu médico, para que este possa desenvolver o método terapêutico mais adequado.

Na maioria das vezes, os idosos que sofreram quedas ficam relutantes em contar o sucedido a um especialista em saúde, por acharem que estes acidentes domésticos fazem parte do envelhecimento.

Especialmente se não ficaram com lesões visíveis e pelo receio de perderem a sua independência e terem que passar a viver num ambiente supervisionado, como um lar de idosos.

Roupa mais confortável

Também a roupa, quando desajustada, pode ser um fator de queda. Há o risco de tropeçar em calças largas e descaídas, pisar uma saia comprida ou prender o braço em mangas largas.

Também é importantíssimo que o calçado seja o mais confortável possível, visto que, com a idade, os pés deformam. Nas mulheres é recomendada a preferência por sapatos com salto de altura moderada (cerca de 2-3 cm) e base larga, associados a uma sola antiderrapante (dentro e fora de casa).

Em resumo, o vestuário deve ser o mais confortável e adequado possível. Em caso de dúvida, aconselhe-se com um especialista em saúde.

A atenção é fundamental

É certo que os animais de estimação fazem companhia e são nossos amigos, mas também obrigam a cuidados redobrados. Por vezes, a sua amizade impossibilita o caminhar, ao passarem entre as pernas, provocando quedas. Mais uma vez, a atenção é fundamental e as luzes noturnas são importantes para permitirem uma boa visão dos caminhos a percorrer.

 

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Artigo de opinião médica numa parceria ACP/Revista Saúde Sénior.
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