Lítio português preponderante para mobilidade elétrica

| Revista ACP

Portugal tem condições naturais que podem colocar o país em vantagem na cadeia europeia do lítio e, consequentemente, na aceleração da mobilidade elétrica.

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A maior reserva de espodumena de lítio identificada até hoje na Europa localiza-se em Covas do Barroso, concelho de Boticas, distrito de Vila Real. O lítio é uma matéria-prima mineral essencial para a produção de baterias elétricas e, por isso, Portugal pode colocar-se em vantagem na cadeia europeia do lítio.

 

 

A Savannah Resources, empresa de origem britânica que tem os direitos de produção do lítio português, acredita que Portugal pode assumir um papel estratégico na nova economia europeia das baterias e da mobilidade elétrica.

“O projeto de lítio do Barroso já passou várias fases de desenvolvimento e hoje já não se acredita, já se tem a certeza da dimensão do recurso existente”, segundo o Emanuel Proença, presidente executivo da Savannah Resources, da dimensão do recurso existente. A jazida “já era a maior da Europa antes de ter sido duplicada em dimensão” com a atualização de recursos realizada em 2025.

Segundo Emanuel Proença, a procura mundial de lítio deverá crescer de forma exponencial nas próximas décadas, impulsionada sobretudo pela eletrificação da mobilidade, pelo armazenamento energético e pela robótica. “Antecipa-se que, de 2020 a 2050, a quantidade de lítio anual necessária seja multiplicada por quase 40 vezes”, afirma.

E Portugal parte com uma vantagem competitiva pouco comum. “Não houve, no último século, muitos setores de atividade em que Portugal tivesse uma vantagem competitiva à partida. Neste setor temos”, acredita o gestor, apontando para a dimensão do recurso nacional e para a possibilidade de exploração “a custos muito eficientes”.

A Savannah prevê iniciar a produção em 2028, depois da conclusão dos estudos finais e da construção da infraestrutura industrial associada à mina do Barroso.

“Isto não é um projeto só de uma mina, é um projeto de uma fábrica acoplada à mina”, explica Emanuel Proença, acrescentando que o projeto deverá gerar empregos qualificados, pagamentos pelo uso do recurso mineral local, e atrair novas indústrias para o país.

 

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Além do impacto económico, o CEO da Savannah argumenta que o lítio será essencial para acelerar a transição energética europeia. Apesar das preocupações ambientais frequentemente associadas à mineração a céu aberto, Proença garante que os impactos podem ser mitigados. 

“É muito fácil criar medo à volta deste tema porque se criam ideias associadas aos efeitos que são desproporcionadas face ao que é a realidade”, argumenta. O gestor defende que o modelo baseado em minerais críticos representa uma alternativa mais sustentável face à dependência histórica do petróleo. “Com um projeto como o nosso, conseguimos produzir, na primeira fase, lítio suficiente para eletrificar todos os veículos de Portugal durante três anos”, refere 

A questão geopolítica também surge como argumento central para o desenvolvimento do setor, uma vez que a Europa precisa de reduzir dependências externas em matérias-primas críticas, sobretudo num contexto internacional mais instável.

“Para estarmos em cooperação temos de estar numa mesa equilibrada”, diz, defendendo que Portugal reúne condições favoráveis para captar investimento industrial ligado às baterias e à mobilidade elétrica.

Já existe um cluster nacional em fase de consolidação.

“O cluster da fileira de lítio já tem mais de 60 empresas e ainda estamos a começar”, revela o líder da Savannah, indincado que os principais projetos ligados ao lítio e às baterias representam mais de 2,5 mil milhões de euros de investimento industrial, “o maior investimento industrial em Portugal desde a Autoeuropa”.

Para Emanuel Proença, o impacto do lítio português poderá ir além da indústria mineira, contribuindo para a reindustrialização do país, para a retenção de talento e até para o regresso de emigrantes qualificados.


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