Ao volante do Alfa Romeo Junior Ibrida Q4

| Revista ACP

Híbrido e com tração integral, o Alfa Romeo Junior Ibrida Q4 é uma proposta praticamente única no segmento.

Alfa-Romeo-Junior

Responsável por trazer a Alfa Romeo de volta a um segmento do qual estava ausente desde o fim da produção do Mito, o pequeno Alfa Romeo Junior representa mais do que um simples acréscimo à gama.

Na prática, o modelo posicionado abaixo do Tonale é uma tentativa deliberada de levar o ADN desportivo da Alfa para um segmento altamente competitivo.

Rival de propostas como o Lexus LBX ou o “primo” Jeep Avenger, com o qual partilha a plataforma, o Alfa Romeo Junior dificilmente passa despercebido.

A frente é dominada pelo tradicional “Scudetto”, reinterpretado numa grelha que se integra de forma marcante na carroçaria e que até daria mais nas vistas não fosse a pintura preta da unidade ensaiada.

Os faróis LED, afilados e expressivos, reforçam a postura agressiva do modelo, enquanto as linhas musculadas das cavas das rodas evocam a desportividade sinónimo da marca italiana e na traseira até há alguma inspiração no icónico Alfasud.

A bordo

Uma vez sentados ao volante do Junior fica evidente o esforço da Alfa Romeo em diferenciar o seu B-SUV dentro de um segmento onde não falta concorrência.

Apesar do recurso a plásticos mais duros em algumas zonas do interior, o amplo recurso a Alcantara (seja no volante seja na secção intermédia do tabliê) eleva a agradabilidade a bordo, a sensação de qualidade e traz à memória propostas de outros tempos da indústria automóvel italiana.

Já no campo da ergonomia, o ecrã central de 10,25’’ rápido e intuitivo de usar associado às teclas físicas de atalho para controlar a climatização tornam o Junior num modelo com o qual é fácil conviver diariamente. Só é de lamentar o posicionamento algo baixo do mesmo.

Também o painel de instrumentos digital com 10,25’’ merece elogios, não só pela facilidade de navegação entre menus como pelo facto de entregar toda a informação de forma clara, algo que nem sempre se pode dizer em alguns modelos atuais.

No que diz respeito ao espaço, o Junior assume as limitações típicas de um SUV compacto, ficando até um pouco atrás de alguns rivais neste capítulo.

À frente há bastante liberdade de movimentos, com a posição de condução ligeiramente elevada a favorecer a visibilidade.

Atrás, o espaço é suficiente para dois adultos em viagens médias, embora a largura e o espaço para os joelhos não sejam dos mais generosos do segmento.

Ao volante

É, contudo, em movimento que o Junior mais tem de justificar o emblema que ostenta e, acima de tudo, que mais oportunidade tem de mostrar os seus argumentos face à concorrência, em especial nesta versão híbrida com tração integral, uma raridade no segmento.

A eletrificação desta variante é conseguida com recurso a um sistema híbrido de 48 V que combina um motor 1.2 turbo a gasolina com dois motores elétricos — um em cada eixo — permitindo tração integral.

O resultado é uma potência combinada de 145 cv, valor que se mostrou mais do que suficiente para mover o SUV com agilidade tanto em contexto urbano como em estrada.

O sistema Q4 distingue-se precisamente pela presença de um segundo motor elétrico no eixo traseiro, que entra em ação quando é necessária maior motricidade.

Em condições normais, o Junior funciona predominantemente com tração dianteira, mas pode distribuir o binário pelas quatro rodas quando o piso tem menor aderência ou quando queremos explorar as potencialidades do chassis.

Na prática, isto traduz-se numa condução surpreendentemente equilibrada e, acima de tudo, bastante segura, independentemente do estado do tempo.

A direção revelou-se direta e precisa, cumprindo os pergaminhos da marca de Arese, acontecendo o mesmo com o chassis, afinado com uma ligeira tendência desportiva, e a suspensão que consegue um bom compromisso entre conforto e a capacidade de conter os movimentos da carroçaria.

Nota ainda para o funcionamento suave e quase impercetível do sistema híbrido no dia-a-dia, especialmente importante num modelo cuja utilização ocorrerá, maioritariamente, em meio urbano.

Nessas circunstâncias as manobras a baixa velocidade e o trânsito urbano beneficiam da assistência elétrica, que além de reduzir os consumos torna o Junior particularmente relaxante de conduzir no tradicional “para-arranca”.

No final das contas, com um preço base de 40 mil euros (45 mil euros no caso da unidade ensaiada tendo em conta o equipamento opcional presente), o Alfa Romeo Junior Ibrida Q4 não faz do preço um dos seus argumentos.

 

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Porém, é um modelo que oferece algo raro no segmento: uma experiência de condução interativa, com segurança reforçada fruto da tração integral e tudo isto sem comprometer os consumos e a utilização diária.

Além disso, consegue manter viva a ideia de que um Alfa Romeo deve ser mais do que um simples meio de transporte, seja pelo visual exterior ou pelo ambiente a bordo.

No fundo, o Junior Ibrida Q4 mostra como a marca italiana está a adaptar-se à nova era da mobilidade sem abdicar totalmente da sua identidade. E se o segmento exige racionalidade, a Alfa continua a insistir que ainda há espaço para um pouco de paixão.

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