O sistema de refrigeração é um dos pontos mais críticos num automóvel clássico.
Com as temperaturas mais elevadas, aumenta significativamente a probabilidade de surgirem problemas de sobreaquecimento, sobretudo porque se tratam de carros com 50, 60 ou mais anos, cujos sistemas de refrigeração foram concebidos para uma realidade muito diferente da atual.
Quando estes automóveis foram projetados, o trânsito era menos intenso e as condições de utilização eram outras. Hoje, enfrentam filas, velocidades reduzidas e longos períodos ao ralenti, situações que colocam muito mais exigência sobre o sistema de refrigeração.
Curiosamente, durante grande parte do ano, muitos clássicos fazem apenas pequenos percursos — ir beber um café, dar uma volta de 10 ou 20 quilómetros — e, muitas vezes, nem sequer chegam à temperatura normal de funcionamento. Isso faz com que o sistema de refrigeração seja frequentemente descurado, apesar de ser um elemento essencial para a fiabilidade do motor.
Uma das primeiras verificações deve ser feita ao radiador. Nos modelos equipados com depósito de expansão, é importante confirmar o nível do líquido de refrigeração nesse reservatório.
Nos carros mais antigos, que não dispõem desse sistema, a verificação é feita diretamente no tampão do radiador. O líquido deve estar acima dos favos do radiador, garantindo que existe quantidade suficiente para uma refrigeração eficaz.
A manutenção do líquido de refrigeração é igualmente fundamental. Com o tempo, o anticongelante perde propriedades e deixa de proteger eficazmente o motor contra a corrosão e o sobreaquecimento. Por isso, é recomendável lavar periodicamente todo o circuito e substituir o líquido, respeitando a periodicidade adequada ao uso do automóvel.
Outro componente que merece especial atenção são as tubagens de borracha. Ao longo dos anos, estas mangueiras ressecam, endurecem e degradam-se. Quando o motor atinge a temperatura normal de funcionamento — normalmente entre os 70 e os 90 °C — a pressão no circuito aumenta e é relativamente frequente surgirem roturas ou pequenas fugas, capazes de provocar uma perda rápida de líquido e o consequente sobreaquecimento do motor.
Também a bomba de água deve ser inspecionada regularmente. Trata-se de um componente essencial para garantir a circulação do líquido de refrigeração e, quando apresenta desgaste ou folgas, compromete toda a eficiência do sistema.
Por fim, há um elemento muitas vezes esquecido: o termóstato. A sua função é abrir quando o motor atinge a temperatura ideal de funcionamento, permitindo a circulação do líquido pelo radiador.
No entanto, devido aos longos períodos de imobilização a que muitos clássicos estão sujeitos, o mecanismo interno pode ficar preso. Se isso acontecer, o termóstato não abre, a circulação do líquido fica muito limitada e o motor pode sobreaquecer em poucos minutos.
Uma inspeção preventiva antes da chegada do verão — verificando o estado do radiador, do líquido de refrigeração, das mangueiras, da bomba de água e do termóstato — pode evitar avarias dispendiosas e garantir que o clássico continua a proporcionar uma condução tranquila, mesmo nos dias de maior calor.
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