A União Europeia prepara-se para apresentar o chamado “Industrial Accelerator Act”, um pacote legislativo que pretende reforçar a competitividade industrial do bloco e revitalizar a produção automóvel.
A iniciativa inclui critérios de “Made in EU” que condicionam o acesso a subsídios à incorporação de componentes produzidos na Europa, numa tentativa de travar a deslocalização de fábricas sem comprometer as relações comerciais com parceiros estratégicos.
O tema tem gerado divergências internas. A União Europeia enfrenta posições distintas entre Estados-membros, com a França a defender uma abordagem mais protecionista e a Alemanha a alertar para o risco de retaliações externas.
Vários construtores também manifestam reservas, sobretudo os que dependem de cadeias de abastecimento fora do bloco ou que mantêm operações relevantes em países vizinhos não pertencentes à UE.
Empresas como a Ford e a Jaguar Land Rover acompanham de perto o debate, tal como governos de países como o Reino Unido, a Turquia e Marrocos, interessados em assegurar que não ficam excluídos de eventuais benefícios.
Segundo uma versão preliminar do diploma, um veículo elétrico terá de incorporar pelo menos 70% do valor das suas peças produzidas no espaço comunitário, excluindo a bateria, para poder beneficiar de apoios europeus.
Está igualmente prevista uma quota mínima de conteúdo europeu no conjunto da bateria, ainda que as células fiquem de fora, reconhecendo o peso dominante da China neste segmento.
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Recorde-se que o setor automóvel europeu enfrenta forte pressão competitiva, intensificada pela entrada de fabricantes chineses com elétricos mais baratos e avançados.
A associação francesa Fiev indica que os seus associados perderam metade dos trabalhadores desde 2007 e admite novos cortes sem medidas de apoio.
Vários gestores defendem que a ausência de exigências de incorporação local poderá enfraquecer ainda mais a indústria europeia.
Já os construtores alemães, muito dependentes do mercado chinês, receiam que regras rígidas sejam vistas como protecionistas e provoquem retaliações.
Pequim rejeita acusações de subsídios ilegais e já respondeu a medidas europeias, como as tarifas sobre elétricos chineses.
A aplicação das novas regras é dificultada pela complexidade das cadeias de fornecimento.
Por exemplo, a francesa A2MAC1 analisou o Volkswagen ID.3 e o Renault 5: o primeiro cumpre confortavelmente os critérios propostos, enquanto o segundo só os atinge se a bateria for excluída do cálculo.
O projeto considera como conteúdo local apenas componentes da UE e do Espaço Económico Europeu, admitindo exceções limitadas.
Esta restrição preocupa fabricantes com forte dependência do Reino Unido e da Turquia.
Ancara, onde produzem marcas como Toyota, Stellantis, Hyundai e Renault, teme impactos no investimento, embora haja receios de que a inclusão do país facilite a entrada indireta de marcas chinesas nos apoios europeus.