Combustíveis: Governo pede medidas para travar escalada de preços

| Revista ACP

Na chegada ao Conselho Europeu, o primeiro-ministro apelou à União Europeia para agir imediatamente sobre o custo dos combustíveis.

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Apesar de o Governo ter anunciado que não interviria no preço dos combustíveis, em Portugal, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu à chegada à reunião do Conselho Europeu uma ação diplomática do bloco comunitário para conter a escalada de preços do gasóleo e da gasolina.

“Precisamos de uma intervenção que seja, do ponto de vista diplomático, eficaz para suster este aumento do preço dos combustíveis”, afirmou Luís Montenegro, em Bruxelas. 

“O problema não está na compra. O problema está, em primeiro lugar, na instabilidade e no funcionamento dos mecanismos de formação do preço”, defendeu, argumentando que é necessária uma atuação que permita “diminuir a carga especulativa de mercados financeiros e de mercados de futuros”.

“Os aumentos de preço são praticamente imediatos, as diminuições de preço são muito lentas", criticou.

O Governo tem mantido contactos com os parceiros europeus e com os Estados Unidos para colocar a resolução diplomática do conflito no Médio Oriente entre as prioridades internacionais.

Nesse sentido, Montenegro voltou a defender que a União Europeia deve contribuir para aproximar as partes, pôr fim às hostilidades e restabelecer as condições de navegação no estreito de Ormuz, permitindo normalizar o funcionamento dos mercados.

Por outro lado, acusou os Estados Unidos de incoerência com o recente acordo fechado com a Rússia para o fornecimento de gasóleo. "Não corresponde a um exercício consequente e coerente da resolução desta matéria”, disse, realçando que a disponibilidade adicional de produtos, em particular de gasóleo, apenas responde às necessidades durante escassos dias, sem resolver o problema dos preços. Além disso, envia sinais contraditórios face ao apoio norte-americano à Ucrânia.

Para além de medidas imediatas, o Chefe do Governo português pediu uma redução da dependência dos combustíveis fósseis e uma maior aposta nas energias renováveis, cuja produção depende da capacidade europeia. 

“A Europa não pode ter dúvidas quanto ao caminho de autonomização da sua área energética”, concluiu.

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