Volkswagen acelera reestruturação e admite venda da Ducati

| Revista ACP

A Volkswagen está a avançar com uma profunda reestruturação, que inclui novos cortes de postos de trabalho e encerramentos de fábricas.

A Volkswagen está a atravessar uma fase de forte reestruturação, num contexto marcado pela concorrência dos fabricantes chineses, pelos elevados custos de produção na Alemanha e pelos desafios associados à transição para a mobilidade elétrica.

O grupo registou, em 2025, um resultado operacional de 6,9 mil milhões de euros, o valor mais baixo desde 2016. No primeiro semestre deste ano, os lucros líquidos recuaram 30,7%.

Para responder a este cenário, a Volkswagen aprovou o chamado “Plano Futuro 2030”, que prevê mais 50 mil cortes de postos de trabalho. Somando as reduções anteriormente anunciadas, o número total de empregos eliminados poderá chegar aos 100 mil.

O plano prevê ainda uma redução de 50% da gama de automóveis até 2035, uma diminuição de 75% na complexidade da oferta e o encerramento de quatro fábricas na Alemanha.

Em Portugal, a Autoeuropa deverá escapar aos cortes, segundo informação transmitida pela Volkswagen ao Jornal de Negócios. A fábrica de Palmela prepara-se para produzir o seu primeiro modelo elétrico e deverá também fabricar o T-Roc híbrido.

No âmbito da reorganização do grupo, a Volkswagen está também a avaliar o futuro de algumas das empresas que integram o seu portefólio. Entre elas está a Ducati, marca italiana de motociclos pertencente à Audi desde 2012.

O CEO da Audi, Gernot Döllner, confirmou que a Ducati está entre cerca de 600 empresas que estão a ser avaliadas para uma eventual venda. No entanto, não foi tomada qualquer decisão sobre o futuro da marca.

A Ducati vende perto de 50 mil unidades por ano. Em 2025, registou receitas de 925 milhões de euros e um lucro de 52 milhões de euros. Uma análise da Bloomberg Intelligence avalia a marca em cerca de 1,25 mil milhões de euros.

Outra das mudanças em curso envolve a fábrica da Volkswagen em Osnabrück, na Alemanha. A unidade vai deixar de produzir automóveis e deverá ser transformada para a produção de componentes destinados a sistemas de defesa aérea, incluindo drones.

A Volkswagen chegou a acordo com a Aurelis Capital para a venda e conversão da fábrica, num projeto que envolve também o Estado da Baixa Saxónia e uma cooperação com a Rafael Advanced Defense Systems.

A unidade, com 125 anos, já tinha prevista a suspensão da produção automóvel no verão do próximo ano. A transformação permitirá dar-lhe uma nova utilização, ligada ao setor da segurança e defesa.

A reestruturação representa assim uma mudança significativa na estratégia industrial da Volkswagen, com o grupo a reduzir a sua atividade automóvel em algumas áreas e a reavaliar ativos e unidades de produção.

 

Newsletter Revista
Receba as novidades do mundo automóvel e do universo ACP.

scroll up