Cupra Ateca 2.0 EcoTSI DSG 4Drive

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A divisão desportiva da Seat pegou no primeiro SUV da marca e musculou-o com 300 cv, criando um automóvel prático e eficaz.

frente 1920

Mais do que um novo automóvel, o Ateca que se segue é também uma proposta única no segmento e o grande responsável pela introdução da nova marca Cupra criada pela divisão desportiva da Seat. É o primeiro da linhagem, mas a marca promete “cupralizar” mais modelos Seat. Coloque o cinto e agarre-se bem...

Quando na segunda metade da década de 90 vimos chegar ao mercado automóvel pela primeira vez a designação Cupra, estavamos longe de imaginar que 22 anos depois iríamos presenciar o seu relançamento, desta vez como uma nova marca desenvolvida pelo departamento de competição da marca espanhola ao invés de uma designação reservada às versões mais desportivas da Seat. E o primeiro contemplado não foi, como em 1996, o Ibiza. Nem o também bem-sucedido Leon. Foi sim o Ateca, o primeiro SUV do construtor catalão.

DIFERENTE, MAS IDÊNTICO

O formato da carroçaria deste Cupra é, literalmente, familiar. Não só porque, de uma forma geral, é um Ateca como os demais, mas também porque mantém as ótimas cotas de habitabilidade do SUV médio da Seat, algo de que a nova marca se orgulha, combinando performance com o sentido prático do Ateca, mas aqui numa abordagem estética bem mais exclusiva. A carroçaria foi rebaixada – 20 milímetros - e as grandes cavas das rodas preenchidas pelas jantes de 19 polegadas. Os emblemas da Seat deram o seu lugar aos da nova marca e um pouco por toda a carroçaria existem elementos pintados em preto brilhante, como as barras de tejadilho, as molduras das janelas, os difusores e o spoiler traseiro.

Se na frente se destaca a inscrição Cupra na grelha inferior, atrás são as bem audíveis quatro saídas de escape que não passam despercebidas. Por dentro, o impacto visual não é tão forte, mas as baquets (opcionais) forradas em Alcantara, com pesponto em cor de cobre e efeito carbono nas laterais, o botão dos modos de condução, ao centro, na consola, bem como o volante com o logótipo Cupra relembram-nos que, apesar do espaço disponível, da excelente visibilidade em todas as direções e do conforto proporcionado pelos bancos aquecidos e teto panorâmico, este Ateca tem outras competências, só reveladas quando ao volante entramos, também, em modo Cupra.

GRANDES NÚMEROS, GRANDES SENSAÇÕES

Imagem e habitabilidade abordadas, passemos àquilo que é o foco da Cupra, a condução e as sensações. E seguindo uma sequência lógica, a Cupra não se limitou a colocar debaixo do capot do Ateca o quatro cilindros 2.0 TSI de 300 cavalos e 400 Nm, preparando-o previamente para receber e lidar eficazmente com estes números. A fim de os passar sem perdas ao alcatrão, as jantes - com acabamento cobre na unidade ensaiada – estão envolvidas pelos aderentes Pirelli P Zero de medida 245/40 e o Ateca recorre também à tração integral 4Drive para que toda a potência que chega às rodas se transforme em velocidade. E velocidade, acima do limite, é algo que surge muito depressa. Ativando-se o modo Launch Control, os 100 km/h chegam em 4,9 segundos e continuando-se com o pé sobre o acelerador, o Ateca atira-se para os 250 km/h, cumprindo, previamente, os tradicionais 400 metros em 13,3 segundos e atingindo a marca do primeiro quilómetro ao fim de apenas 24,6 segundos a uma velocidade de cerca de 210 km/h. Tudo graças ao possante motor TSI, cujas imediata disponibilidade e linearidade de entrega de potência, devidamente exploradas pela muito rápida transmissão DSG de 7 velocidades, lhe dão um quase interminável fôlego para subir de regime e acelerar o Ateca mesmo a subir, mesmo quando o ponteiro já vai na segunda metade do velocímetro, com escala a terminar nos 300 km/h. E quando chega a altura de travar, os enormes discos da Brembo conseguem desacelerar o SUV Cupra de forma não menos impressionante do que aquela como o motor o acelera. E acima de tudo, fazem-no repetidamente, sem provocar desequilíbrios e mostrando-se consistentes, com ótima resistência à fadiga.

Passando à suspensão, este é, tal como Jordi Gené (piloto de testes e responsável pela afinação de chassis do Cupra) afirma, um dos pontos-chave do excelente desempenho dinâmico do Ateca. Os amortecedores adaptativos não só lhe permitem saber lidar com pisos irregulares, como conferem ao SUV espanhol um comportamento dinâmico de referência. O controlo de movimentos da carroçaria é exemplar, quer nos transversais, nas consecutivas curvas dos traçados sinuosos de que o Cupra tanto gosta, quer os longitudinais, durante as exigentes travagens no final das retas que os 300 cavalos encurtam com uma facilidade avassaladora. A direção é rápida – volante com somente duas voltas topo a topo – e acima de tudo, comunicativa, sendo bastante fácil colocar o eixo dianteiro com precisão exatamente onde pretendemos e apontar o Ateca ao apex da curva, acelerando de seguida a fundo, com a certeza de que na saída toda a potência é transposta ao asfalto sem quaisquer perdas de motricidade. Também por isso, a velocidade que o Cupra Ateca consegue manter nas viragens é deveras impressionante, colocando pressão noutros desportivos mais exigentes que encontrámos durante o nosso ensaio, deixando incrédulos os seus condutores e aqueles que, por breves momentos, o viram passar, veloz e sonoro, mas impávido e sereno tal é a eficácia do seu chassis. Para além dos modos de condução (inclui modo Individual, personalizável), é possível adaptar o controlo de estabilidade para uma configuração mais desportiva que confere ao Ateca alguma liberdade de movimentos extra. Se provocado ou ao aliviar a pressão sobre o acelerador a meio da curva, a traseira deixa-se levar, escorregando ligeiramente devido à perda de apoio e permitindo ajustar a trajetória e sair em direção à curva seguinte com um sorriso na cara. Apesar disso, a soberba capacidade de tração em aceleração pura, impera.

SIM, É MESMO UM SUV

O Cupra Ateca brilha por variadíssimas razões. Desde logo, pela sua adaptabilidade, combinando o sentido prático de um confortável SUV para o dia-a-dia em família, graças ao extenso equipamento de conforto, ao habitáculo espaçoso e a uma enorme bagageira, com a performance e eficácia dinâmica de um compacto desportivo. Destaca-se também pelo preço, que, não sendo baixo, fica muito aquém, por exemplo, do pedido pelo Macan, que troca o logo Porsche por um motor quatro cilindros 2.0 turbo (basicamente o mesmo do Ateca) com menos 55 cavalos. Quatro cilindros (o famoso bloco EA888), aliás, que também vai dar alma ao quase a chegar Audi SQ2, outro rival interno do Ateca, aqui na medida abaixo, ainda que seja expectável que o SUV desportivo da Audi, com igual potência extraída do mesmo motor 2.0 TSI, seja, mesmo assim, mais caro. Acima de tudo, o Cupra brilha por ser tão bom e ser o primeiro, denotando a extensa experiência herdada da conceituada Seat Sport. Não conseguimos deixar de pensar que um SUV não deveria conseguir fazer o que este Ateca faz, e claro, se o primeiro Cupra é assim, os futuros modelos a lançar não serão, certamente, menos.

Este ensaio faz parte da parceria com a revista semanal AutoMAG.

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