O mercado automóvel entra em 2026 num momento de reajuste estratégico. O recuo da União Europeia nas metas mais exigentes de descarbonização deu algum fôlego aos construtores, mas não travou a transformação em curso.
Neste podcast ACP, os jornalistas da Revista ACP, Francisco Costa Santos e João Delfim Tomé, discutem os modelos que prometem agitar o mercado, marcar tendências e que até podem revelar-se cruciais para a sobrevivência de alguns construtores.
Segundo João Delfim Tomé, apesar do alívio regulatório, a maioria das marcas não abrandou o investimento na eletrificação.
O esforço financeiro já realizado e a convicção tecnológica levam grupos como a Stellantis e a BMW a apostar em plataformas multi-energia, capazes de receber motorizações a combustão, híbridas e elétricas, ajustando a oferta à procura real do mercado.
Um dos exemplos mais ilustrativos desta flexibilidade é, como refere Francisco Costa Santos, o novo Fiat 500 híbrido, que adapta uma base inicialmente pensada para elétricos.
Para os jornalistas da Revista ACP, esta solução permite reduzir preços e tornar o modelo mais acessível, respondendo a uma das principais barreiras à adoção dos elétricos.
No segmento dos citadinos, o destaque vai para o regresso do Renault Twingo, agora 100% elétrico, com inspiração retro e vocação urbana.
A aposta em modelos compactos e mais acessíveis é vista como essencial para democratizar a eletrificação.
A mesma lógica aplica-se a propostas como o Volkswagen ID. Cross e o Kia EV2, pequenos crossovers elétricos que combinam utilização citadina com autonomias já compatíveis com viagens familiares.
Também os desportivos compactos entram na nova era elétrica. Modelos como o Cupra Raval ou o Peugeot E-208 GTI mostram que o conceito hot hatch não desapareceu, apenas evoluiu.
Para João Delfim Tomé, esta estratégia transmite uma mensagem clara: o cliente continuará a ter escolha, incluindo versões mais emotivas.
No segmento premium, a transformação é ainda mais visível. A Jaguar assume uma rutura profunda com o lançamento do Jaguar Type 00.
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Já a Ferrari prepara a revelação do seu primeiro elétrico, num movimento descrito no podcast como uma afirmação de capacidade tecnológica.
A Rolls-Royce, por seu lado, já deu esse passo com o Rolls-Royce Spectre, modelo que encaixa naturalmente na filosofia de silêncio e conforto absoluto da marca.
Apesar da forte presença elétrica, a combustão continua a ter espaço.
A Toyota é apontada como exemplo de equilíbrio, ao combinar eficiência com paixão automóvel, através de projetos como o Toyota MR2 e o Toyota GR GT.
Também a Ford reforça a vertente mais radical com o Ford Mustang GTD e com a possibilidade de versões Mustang inspiradas no universo Raptor, num cruzamento entre performance e todo-o-terreno que acompanha tendências recentes do mercado.
No podcast, há ainda referência aos elétricos com extensor de autonomia, solução adotada por marcas como a Mazda e a Leapmotor.
A conclusão deixada pelos jornalistas da Revista ACP é clara: 2026 não será o ano do fim da combustão nem o da vitória absoluta do elétrico.
Será, acima de tudo, um ano de convivência tecnológica, em que as marcas procuram responder às necessidades reais dos consumidores.
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