O rádio vai acabar nos carros?

| Revista ACP

Hélder Sousa Silva, eurodeputado, e Salvador Bourbon Ribeiro, CEO da Bauer Media Audio Portugal, defendem a existência do autorrádio no automóvel, como elemento indispensável a informação fidedigna e fator de segurança em situações de crise.

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A Comissão Europeia revisitou diretrizes para as redes digitais, procurando harmonizar regras na gestão de infraestruturas digitais e no uso do espectro radioelétrico. O chamado Digital Networks Act ainda vai ser apreciado no Parlamento Europeu e há um grupo de eurodeputados que quer aproveitar a dicussão para definir como obrigatória a inclusão do autorrádio, com recetor de rádio analógico, em todos os carros vendidos na União Europeia.

É esse o tema deste ACP Podcast.

Com os mais recentes avanços tecnológicos, não só começaram a desaparecer os botões físicos como o tradicional autorrádio está a perder relevância no tablier dos novos carros. Há fabricantes a instalar ecrãs tácteis com opções de streaming aúdio e a abdicar dos recetores de rádio.

Há marcas que têm mantido as duas opções nos novos carros - serviços de aúdio em streaming e rádio (muitas vezes já sem botões fisícos) com sinal FM/AM (analógico) e DAB (sinal digital). Outras já só disponibilizam rádio por sinal digital.

No entanto, marcas 100% eletrificadas e com sistemas de conectividade desenvolvidos para criar um ambiente completamente digital entre o carro e o condutor, via smartphone ou smartwatch, estão a deixar o autorrádio de parte. É o caso da Tesla, que, de acordo com o MotorTrend, vai deixar de equipar os seus modelos com rádio, a partir de 2026, dando prioridade a serviços de infoentretenimento por subscrição no automóvel.

Para evitar o desaparecimento do rádio dos automóveis, um conjunto de eurodeputados, incluindo Hélder Sousa Silva, eleito pelo PSD, apela à Comissão Europeia que seja obrigatório manter o autorrádio com recetor FM/AM, nos novos carros vendidos no espaço comunitário.

 

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Neste podcast do ACP, Hélder Sousa Silva defende tratar-se de uma questão de segurança, mas também de preservação do direito à livre escolha dos europeus.

"A rádio continua a ser o meio de comunicação mais fiável na Europa, fornecendo diariamente informação independente e de alta qualidade a milhões de cidadãos. Não é apenas uma fonte de notícias e conteúdos culturais fiáveis, é também uma ferramenta de segurança essencial em tempos de crise e emergência, ao garantir que as populações possam aceder a alertas e orientações das autoridades, sem barreiras técnicas como cortes de energia ou falhas na rede", lê-se na carta aberta subscrita pelos eurodeputados.

Além disso, é de acesso gratuito e "continua a ser a espinha dorsal do setor aúdio em geral".

"Sem salvaguardas regulamentares claras, as plataformas tecnológicas globais e os fabricantes automóveis correm o risco de se tornarem guardiões do conteúdo radiofónico, comprometendo o pluralismo dos meios de comunicação social, a escolha dos consumidores e a segurança pública", acrescenta a missiva.

Salvador Bourbon Ribeiro, presidente executivo da Bauer Media Audio Portugal, que também participou neste podcast do ACP, também se opõe ao fim do rádio de sinal analógico no automóvel. Segundo o líder da dona da Rádio Comercial, atualmente, "70% do consumo da rádio é feito nos automóveis".

O gestor defende que a rádio tem acompanhado a evolução da tecnologia e que a sua função deve ser preservada no universo automóvel, a começar pela manutenção do sinal analógico. E cita um estudo que aponta que "80% dos consumidores rejeita comprar um carro sem autorrádio".


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