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Existiam formas mais baratas e mais rápidas de reduzir emissões

| Revista ACP

O diretor-geral da Stellantis, Carlos Tavares, tem dúvidas em relação ao sucesso da eletrificação.

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Carlos Tavares, 63 anos, português, diretor executivo do grupo Stellantis criado a partir da fusão entre a Fca e a Peugeot, faz o balanço um ano após o início da fase operacional na vida da nova empresa. Tavares falou ao jornal italiano 'Corriere della Sera' e a um grupo selecionado de jornais europeus.

Carlos Tavares mostra-se satisfeito com os resultados da Stellantis, fala sobre a crise na indústria automóvel e da transição elétrica:

“No contexto de 2021, que foi um ano complicado. Tivemos de lidar com a crise dos semicondutores, a inflação das matérias-primas e a crise da Covid. Tivemos de ter em conta os novos objetivos de transição elétrica que as autoridades políticas nos deram. Criámos uma nova organização e uma nova governação numa empresa que é agora muito maior; fomos bem-sucedidos num período de tempo muito curto, com resultados notáveis durante o primeiro semestre do ano”.

Em relação ao aumento dos preços dos automóveis, Carlos Tavares tem uma opinião muito própria sobre as novas tecnologias e também sobre o regresso à normalidade da produção automóvel:

"Há um risco se não reduzirmos os nossos custos. Mas são também as novas tecnologias que estão a fazer subir os preços, especialmente as tecnologias elétricas, que são 50% mais caras do que os motores térmicos. Esta crise vai durar pelo menos até ao final do ano. A partir do verão, a nova capacidade de produção criada em todo o mundo começará a equilibrar de novo a oferta e a procura. O impacto sobre os volumes de produção da indústria automóvel mundial é de 15-20%. Isso é muito. Precisamos de rever o nosso modelo de negócio e pensar na otimização do lado da engenharia, para nos protegermos de problemas semelhantes no futuro".

Acha que a Comissão Europeia tem uma abordagem sensata à transição energética ou está a pôr termo demasiado depressa aos veículos de combustão? Até 2030, a Peugeot, Opel, Fiat só venderá carros 100% elétricos. Um objetivo de emissões de CO2 que respeitasse o princípio da neutralidade tecnológica não teria sido mais sensato?

"Obviamente respeitamos as leis e por isso lutaremos para sermos os melhores com os fatores que nos são dados, ou que nos são impostos. Mas a eletrificação é uma tecnologia escolhida pelos políticos, não pela indústria. Porque existiam formas mais baratas e mais rápidas de reduzir as emissões. O método escolhido não permite que os fabricantes de automóveis sejam criativos na apresentação de ideias diferentes. É uma escolha política", disse Carlos Tavares.

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