B-Parts promove economia circular automóvel em mais de 180 países

| Revista ACP

Uma plataforma portuguesa especializada na comercialização de peças automóveis reutelizáveis tornou-se referência na economia circular aplicada ao setor automóvel. Assegura hoje comercialização e entrega em mais de 180 países.

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Uma plataforma portuguesa especializada na comercialização de peças automóveis reutelizáveis tornou-se referência mundial na economia circular aplicada ao setor automóvel.

Criada em 2015, a B-Parts garante a comercialização e entrega de peças para mais de 180 países.

Em mais um episódio da série Made in Portugal, podcast do ACP, Manuel Monteiro, cofundador e administrador da B-Parts revela que a empresa nasceu da identificação de uma lacuna no mercado das peças usadas: a forte fragmentação da oferta e a ausência de uma plataforma capaz de garantir qualidade, rastreabilidade e confiança na compra e venda destes componentes.

"A ideia surgiu porque percebemos que existia uma enorme dificuldade em encontrar fornecedores estáveis de peças usadas, com preços consistentes e informação fiável sobre os produtos", explica Manuel Monteiro.

Segundo o responsável, o modelo de negócio da B-Parts foi desenhado para agregar o inventário de centenas de centros de abate, permitindo aumentar significativamente a disponibilidade de peças e criar um mercado digital assente na transparência.

"Queríamos retirar a manta negra que existia sobre as peças usadas e dar-lhes credibilidade, através da fotografia, da rastreabilidade e das garantias", afirma.

Expansão internacional

A ideia teve sucesso e o negócio prosperou e, atualmente, a internacionalização é uma realidade.

A internacionalização foi uma das principais apostas desde os primeiros anos da empresa. Depois de validar o modelo em Portugal, a B-Parts expandiu rapidamente a rede de fornecedores para Espanha, França, Alemanha e outros mercados europeus.

Atualmente, trabalha com cerca de 300 centros de abate em 11 países europeus e mais de 80 parceiros nos EUA. 

No lado das vendas, a Europa representa cerca de 84% do negócio, com Portugal, Espanha, França, Alemanha, Áustria e Itália entre os principais mercados. 

 

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Tecnologia ao serviço da confiança

Um dos fatores diferenciadores da empresa passa pela rastreabilidade integral das peças comercializadas. assegura Manuel Monteiro.

Cada componente pode ser associado ao veículo de origem, incluindo informação como quilometragem, fotografias e histórico documental, permitindo oferecer um nível de transparência pouco habitual neste segmento.

"Se promovemos um produto como sendo nosso, temos de ter muita segurança na origem desse produto. Não podemos arriscar", sublinha o gestor.

A empresa desenvolveu, por isso, um modelo de garantias considerado inovador para o setor, chegando a oferecer um ano de garantia quando muitos operadores disponibilizavam apenas três meses.

"Se algo correr mal, é a B-Parts que resolve", promete Manuel Monteiro.

 De startup ao universo Stellantis

 A B-Parts surgiu como uma startup, mas em 2020 passou a integrar o grupo Stellantis. Mantém, no entanto, a sua operação e centro de decisão no Porto.

A entrada do grupo automóvel não limitou a atividade da empresa às marcas da Stellantis. Pelo contrário, reforçou a capacidade de expansão internacional e consolidou o posicionamento da plataforma como prestadora de serviços para oficinas e redes de reparação em vários países.

"O que a Stellantis reconheceu foi que éramos a única entidade capaz de prestar o mesmo nível de serviço em diversos países europeus, com um produto totalmente rastreável."

Estados Unidos são a grande aposta

Apesar do forte crescimento europeu, o mercado norte-americano representa hoje a principal prioridade estratégica. E também o principal desafio.

Em 2025, primeiro ano completo de atividade naquele país, a empresa registou cerca de cinco milhões de euros de faturação, num volume total de negócios de aproximadamente 65 milhões de euros. 

"O mercado dos Estados Unidos é muito maior do que o mercado europeu somado. Temos muito para aprender, mas é claramente a nossa maior oportunidade de crescimento", afirma.

Questionado sobre a evolução da mobilidade elétrica, Manuel Monteiro considera que o setor oferece oportunidades importantes para a reutilização de componentes, mas defende uma abordagem cautelosa, sobretudo no caso das baterias.

"Neste momento optámos por não comercializar baterias de veículos elétricos porque entendemos que o transporte exige condições muito específicas e não queremos correr riscos."

Ainda assim, revelou que entre 4% e 5% do inventário da empresa já está relacionado com veículos elétricos ou híbridos.


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