O Túnel do Marão que ajudou a ultrapassar a barreira da serra do Marão colocou Vila Real “no sítio certo”, no “centro geodésico” do Norte, e facilitou a atração de empresas e de profissionais qualificados celebra 10 anos. Esta infraestrutura rodoviária com 5,6 quilómetros de extensão está inserida na Autoestrada 4 (A4), no troço entre Vila Real e Amarante. “Este túnel permitiu que Vila Real passasse a estar no sítio certo, precisamente no centro geodésico de toda a área Norte”, afirmou o presidente da câmara do concelho transmontano, Alexandre Favaios.
Com o túnel do Marão, os automobilistas passaram a ter uma alternativa mais segura e rápida ao Itinerário Principal 4 (IP4), que sobe pela serra do Marão. Em 2025, foi eliminado o pagamento de portagens naquele troço da A4. “O que se percebe é que, após 10 anos, o túnel veio prestar um importante serviço para todo o País, de forma muito mais impactante, naturalmente, para o interior Norte. É estratégico em termos logísticos, de mobilidade, de segurança”, realçou o autarca.
A melhoria nas acessibilidades facilitou também a atração de empresas e de profissionais qualificados para o concelho. “É muito tempo que se poupa, posso estar com a família em vez de estar na estrada (…). O túnel é uma ajuda grande”, afirmou Carlos Marinho, que reside em Baião e se desloca no mínimo três vezes por semana para Vila Real, onde trabalha na Antarr, empresa de gestão florestal, sediada no Regia Douro Park. Carlos Marinho estudou na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e na altura tinha que viajar pelo IP4. Na comparação entre o antes e o depois, não tem dúvidas de que o túnel rodoviário “mudou tudo” e que o acesso “está muito mais facilitado”.
“Considero que é uma estrutura segura e é uma mais-valia significativa para a região”, afirmou, ainda, Carlos Marinho, realçando que as acessibilidades tiveram peso na escolha de Vila Real como local para trabalhar. “Foi significativo já existir o túnel”, frisou, explicando que o tempo de viagem é menor para Vila Real do que seria para o Porto, sua capital de distrito, e que são também menores os custos, já que, entretanto, foi abolida a portagem.
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A empresa Aumovio (ex-Continental), fabricante de dispositivos eletrónicos para a indústria automóvel, tem um miniautocarro que transporta vários funcionários diariamente do Porto para Vila Real. O transporte e a autoestrada via túnel fizeram “toda a diferença” para estes profissionais que vivem no litoral e trabalham em Trás-os-Montes. A viagem tem três paragens (Campanhã, Leça do Balio e Amarante) e demora cerca de uma hora e meia. “Muitas vezes demoro tanto de Leça do Balio até Gaia, onde moro, como de Vila Real até Leça”, referiu Bruno Melo, engenheiro da qualidade naquela empresa. Colete Leite vive perto do Porto, trabalha no departamento de recursos humanos da Aumovio e referiu que, sem o transporte, seria difícil trabalhar em Vila Real “pelo custo que está associado”, realçando ainda a vantagem que é “ter o túnel”.
O responsável pela Aumovio, Miguel Pinto, começou a trabalhar nesta fábrica em 2014 e sempre fez a viagem do litoral para a cidade transmontana. “Consigo ver bem as diferenças relativamente à existência do Túnel do Marão”, sublinhou, lembrando que, em dias de neve, o IP4 fechava e que alguns candidatos que vinham fazer a entrevista desistiam depois da viagem por aquele itinerário sinuoso, não se mostrando disponíveis para fazer o trajeto numa base diária. Miguel Pinto realçou que o túnel é “muito mais seguro, mais rápido e ajudou em termos de captação de quadros para a empresa”.
A mesma opinião tem Marisa Rio, da associação privada sem fins lucrativos Fraunhofer, localizada no Regia, para quem as acessibilidades “são uma mais-valia”. “Temos quadros altamente qualificados que não se querem mudar para Vila Real e esta facilidade em ter o túnel e fazer a viagem, que demora cerca de uma hora, acaba por permitir que trabalhem aqui e vivam no Porto”, referiu.
Fábio Ribeiro, docente de Ciências da Comunicação na UTAD, realçou as vantagens da autoestrada quer a nível pessoal, devido a consultas regulares no hospital no Porto, quer em termos profissionais, exemplificando com uma campanha recente que juntou a universidade e o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto com o objetivo de atrair jovens dadores de sangue. “E o túnel tem sido uma ajuda muito importante, torna a deslocação e a logística muito mais fácil (…) É uma realidade incomparavelmente melhor do que aquela que exista há 10 anos”, realçou.
Para o presidente da Câmara de Vila Real seria, agora, determinante juntar a esta obra rodoviária uma ligação ferroviária pela capital de distrito.
Desde que foi inaugurado, a 7 de maio de 2016 e abriu ao tráfego às 00h00 do dia seguinte, o Túnel do Marão já foi atravessado por 45 milhões de veículos. E desde a sua abertura, não há registo de vítimas mortais ou feridos graves. O tráfego médio diário anual subiu dos 13.312 veículos, em 2022, para os 17.560 em 2025, ano em que as portagens foram abolidas neste troço da A4.