ACP contesta encerramento do Terreiro do Paço ao trânsito

O Automóvel Club de Portugal reprova o plano do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de encerrar ao trânsito uma das principais praças da cidade de Lisboa.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador Manuel Salgado e do seu assessor Eng.º. Mendes dos Reis, vai apresentar, no executivo camarário, amanhã o plano de circulação para a frente Tejo, entre Santa Apolónia e Cais do Sodré. O objectivo é a progressiva redução do tráfego na frente ribeirinha da Baixa Pombalina com vista a aumentar o espaço pedonal, “requalificação do espaço público e regeneração funcional”. António Costa e Manuel Salgado querem reviver o passado defendendo de uma forma, quase lírica, a “funcionalidade inicial” do Terreiro do Paço enquanto “porta marítima da cidade”.

Refira-se que segundo o estudo de acessibilidade e transportes da Baixa Pombalina divulgado pela Câmara de Lisboa, actualmente “cerca de 80% das viagens em transporte individual realizam-se por motivos de trabalho”. Com este plano a mobilidade de Lisboa sairá gravemente afectada já que passam diariamente por esta praça cerca de 78 mil viaturas, as quais terão de ser desviadas para ruas adjacentes da Baixa Pombalina (por exemplo, a Rua dos Bacalhoeiros, Rua do Arsenal, Rua do Ouro e Prata) com vias estreitas e condicionadas por novos semáforos que não irão dar vazão sendo o caos inevitável.

Basta relembrar que quando Santana Lopes presidiu à Câmara fechou-se uma das faixas laterais da Praça do Comércio - também com intenção de alargar a zona pedonal e de lazer da dita praça - e as consequências foram dramáticas no trânsito congestionando outras vias da cidade, como na Avenida da República. Mas basta ter presente as longas filas que se formam ao Domingo quando o Terreiro do Paço está fechado ao trânsito para meia dúzia de transeuntes se passearem até às 17:00.

Acresce que este plano da CML terá custos avultados pois preconiza a alteração das linhas de eléctricos o que implicará um investimento de milhões na deslocação dos carris por parte da Carris que indirectamente sairá do bolso de todos os contribuintes.

A CML afirma que a Praça do Comércio perdeu o seu sentido simbólico tendo sido transformada num nó rodoviário e “banalizada enquanto parque de estacionamento”, mas de quem é a culpa se não da própria Câmara ao não promover uma fiscalização rigorosa no estacionamento irregular? A zona ribeirinha é indispensável como via de escoamento do trânsito de toda a zona oriental da cidade, designadamente proveniente da Ponte Vasco da Gama.

Por outro lado, a actividade comercial da Baixa de Lisboa, já de si debilitada pelo fraco movimento e concorrência dos grandes centros comerciais sairá ainda mais prejudicada. Para não falar dos novos espaços comerciais recentemente instalados na zona ribeirinha, já que o Cais do Sodré em breve será exclusivamente para transportes públicos.

O ACP alerta que a Resolução do Conselho de Ministros nº 78/2008, de 15 de Maio, relativa à requalificação e reabilitação de áreas urbanas, no que se refere à Frente Ribeirinha da Baixa Pombalina, preconiza a recuperação e alargamento “da centralidade política” (Terreiro do Paço e Agências Europeias do Cais do Sodré) sugerindo uma aproximação ao “Pólo de S. Bento” (Parlamento e residência do Primeiro Ministro) enquanto espaço funcional e simbólico da capitalidade política de Lisboa.

Afinal uma frente Ribeirinha amena e pedonal preconizada pela Câmara não será contraditória com a manutenção e alargamento da centralidade política desta zona? Como é que se deslocarão ministros, secretários, assessores e funcionários de todos estes organismos? Serão criados corredores VIP ou todos estes “trabalhadores” utilizarão os transportes públicos para chegar ao local de trabalho?

Quando todos os lisboetas acreditavam que o pesadelo tinha terminado depois de 10 anos que demoraram as obras de construção da estação do metro do Terreiro do Paço (tempo superior ao da construção da Canal a Mancha) só lhes faltava mais esta.

Este plano não passa de um projecto político que não contempla a mobilidade necessária numa capital moderna que demonstra o desrespeito total pela cidade, pelos lisboetas e automobilistas revelando a desorientação e incapacidade de António Costa de gerir a cidade. O ACP pretende ir até às últimas consequências tentando, se necessário, impedir judicialmente que este plano seja aprovado.

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