120 anos de história

| Revista ACP

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Da monarquia à república, da ditadura à democracia, o ACP manteve-se fiel às origens e aos seus princípios ao longo destes 120 anos: na defesa do associativismo, na promoção do desporto automóvel e na vanguarda da mobilidade para todos.

Os clubes da Federação Internacional do Automóvel uniram esforços e passaram a trabalhar ainda mais de perto na defesa dos direitos dos seus milhões associados no espaço europeu.

Novos desafios e novas necessidades levam-nos a procurar novas soluções. Somos hoje um clube com quase 300 mil sócios e 31 delegações em todo o País. A nossa assistência em viagem, cobre todo o território nacional através de 400 bases de apoio e, graças à rede internacional do ARC, os nossos sócios são assistidos em toda a Europa pelos nossos clubes congéneres. E cada vez mais perto dos sócios, a nossa rede de assistência médica presta socorro em todo o Mundo.

A nossa presença na sociedade vai, contudo, muito mais além do associativismo. As maiores provas internacionais do desporto automóvel com carater anual são organizadas pelo ACP e a sua excelência coloca-nos num patamar de exigência olímpica. Pena é que quem governa não reconheça a importância da promoção do desporto como catalisador do combate à sazonalidade no turismo e, como os autarcas bem sabem, o apoio ao interior do País que tanto precisa destes eventos.

Não será por acaso que o ACP tem todo um legado na promoção da educação e da segurança rodoviária. As primeiras campanhas de sensibilização saíram do ACP, as primeiras escolas de condução são do ACP, o primeiro Código da Estrada tem o crivo do ACP. Um passado que muito nos honra, mas que nos traz uma enorme responsabilidade que nos faz continuar a trabalhar diariamente por mais educação rodoviária.

Acreditamos que é na infância que se adquirem comportamentos e se enraízam por toda a vida. Com esta premissa, criamos o ACP Kids, um programa de educação rodoviária para crianças entre os 4 e os 9 anos, presente em todo o País. Sabemos que é uma gota no oceano, já que se trata de um programa extracurricular – pese embora a Comissão Europeia lhe tenha atribuído o grau de excelência em segurança rodoviária e o Ministério da Educação, através das suas direções, infelizmente apenas o recomende, não o tornando obrigatório.

O mesmo acontece na maioria das escolas de condução. São meros prestadores de serviços, e apesar do nome nada tem a ver com a escola como a entendemos. Resultado: as pessoas vão lá para tirar a carta e o que menos interessa é aprender a conduzir. Nas escolas do ACP, o ensino é a nossa marca – claro que tem um custo, mas que assumimos com total sentido de responsabilidade. Ter um volante nas mãos é uma arma. Em Portugal a segurança rodoviária não é uma prioridade e, por isso, continuamos na cauda da Europa em número de mortos e feridos em acidentes rodoviários.

O mesmo se passa na mobilidade. A mobilidade entrou no léxico popular, mas definitivamente ainda não entrou na nossa vida. Mobilidade significa capacidade de se mudar, de ir a outro lugar com rapidez. E aqui começam os problemas. As cidades foram desenhadas para circuitos simples e unimodais – as pessoas faziam casa-trabalho-trabalho-casa. O desenvolvimento económico e social trouxe mais pessoas, mais carros, novas rotinas e com elas múltiplas deslocações e novos modos de transporte, que o ACP tem vindo a monotorizar desde 2018.

A visão do Automóvel Club de Portugal é clara: A mobilidade que defendemos começa à porta de casa, começa pela sua liberdade de escolha do meio de locomoção e pelo respeito pelos outros. A par destes princípios, acrescento também o respeito pela herança, pelo direito à propriedade e pelo conforto. Cada um de nós tem direito a escolher como se desloca sem prejuízo do seu conforto.

E aqui chegados, não podemos calar a revolta que cada contribuinte sente perante o esbulho fiscal vigente. Os condutores são escandalosamente esmagados por impostos e taxas, com consequências pesadas na economia nacional. Milhares de portugueses não tem outra forma de se deslocarem para o trabalho, que não seja em carros velhos. O parque automóvel nacional está muito envelhecido, não existem apoios para o incentivo ao abate nem tão pouco opções válidas para outras formas de deslocação.

Com eleições legislativas na mira, o Governo deixou cair a ultrajante proposta do aumento do IUC para quem não tem hipótese de trocar de carro nem alternativa para se deslocar. Mas não vai abdicar da receita que os automobilistas lhe rendem, venha ela donde vier.


Carlos Barbosa

Presidente do Automóvel Club de Portugal

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