A Alfa Romeo e a Pininfarina escolheram o Salão de Genebra como palco para revelar o novo 1600 Spider, em 1966. Com a sua forma elipsoidal distinta, que lhe valeu o apelido italiano de “Osso di Seppia” (osso de sépia), este automóvel marcou um ponto de viragem. Embora tenha sido oficialmente denominado 1600 Spider devido a direitos comerciais, o público batizou-o para sempre como “Duetto”.
O Duetto não demorou a tornar-se uma estrela internacional. A sua apresentação a bordo do transatlântico Raffaello, num cruzeiro de luxo para Nova Iorque com a nata da sociedade europeia, antecipou o conceito "Made in Italy" muito antes de este se tornar um slogan global.
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No entanto, foi Hollywood que lhe concedeu a imortalidade. A imagem de um jovem Dustin Hoffman a conduzir um Duetto vermelho sob o sol da Califórnia ao ritmo de Simon & Garfunkel em "The Graduate" (1967) consolidou o seu estatuto de culto. Também Steve McQueen, um verdadeiro fanático por velocidade, definiu-o em 1966 como "um automóvel que perdoa tudo e é muito bonito", enquanto Muhammad Ali personalizou o seu com a matrícula "Ali Bee", em homenagem ao seu famoso lema sobre flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.
Tecnicamente avançado para a sua época, o primeiro Spider herdou a mecânica do Giulia Sprint GT Veloce, com um motor em liga leve de 1.570 cc e 109 cv que, aliado a um peso inferior a 1.000 kg, garantia uma condução emocionante.
O seu sucesso foi tal que permaneceu em produção durante 28 anos, abrangendo quatro gerações distintas: desde o original "Osso di Seppia", passando pelo "Coda Tronca" de 1969 e a versão "Aerodinamica" dos anos 80, até à refinada Série IV dos anos 90. Com mais de 124.000 unidades vendidas ao longo de quase três décadas, o Spider detém o recorde de longevidade na história da Alfa Romeo.