Mais mortes e feridos graves em acidentes nos primeiros 6 meses do ano

| Revista ACP

O ministro da Administração Interna anunciou o reforço da fiscalização e um plano extraordinário aplicado às zonas urbanas, onde se concentram a maioria dos acidentes.

shutterstock-103896377

Mais mortes e feridos graves em acidentes nas estradas portuguesas: este é o cenário dos primeiros seis meses do ano. Os dados provisórios sobre a evolução da sinistralidade rodoviária foram divulgados esta quarta-feira, após uma reunião entre o Ministro da Administração Interna, Luís Neves, e os altos responsáveis da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP).

No primeiro semestre de 2026 registaram-se um total 17.941 acidentes, dos quais resultaram 225 mortes, 1.371 feridos graves e cerca de 20.700 ligeiros, o que representa "um ligeiro crescimento" em relação a 2025. Face ao período homólogo de 2025, registaram-se mais 23 vítimas mortais (+11,4%) e mais 89 feridos graves (+6,9%).

As zonas urbanas são as que concentram a maioria dos acidentes, cerca de 64%, das quais 32,9% corresponde a vítimas mortais e 47,1% a feridos graves.

Os dados destacam um agravamento da mortalidade nos atropelamentos. Entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2026 morreram, na sequência de atropelamentos, 31 pessoas, mais 17 (+121,4%) do que no período homólogo, quando se registaram 14. Houve ainda aumento de 2,8% nos feridos graves, e uma redução nos feridos leves (-2,8%);

Foi nas estradas nacionais que ocorreram 18,4% dos acidentes, com 28% das vítimas mortais. Nas autoestradas, registaram-se 6,3% dos acidentes, com 11,1% das vítimas mortais.

Dados mais recentes, disponíveis no portal oficial do Observatório de Segurança Rodoviária, gerido pela ANSR, mostram que, entre 1 de janeiro e 11 de agosto deste ano, ocorreram 93.012 acidentes nas estradas (+6.120), dos quais resultaram 302 mortos (+24), 1.756 feridos graves (+45) e 26.848 ligeiros (-525).

O ministro da Administração Interna mostrou-se preocupado com o elevado número de atropelamentos.

"Temos muitos atropelamentos. Há muita gente distraída, há muita incivilidade, quer por parte do condutor quer por parte de quem utiliza as estradas e, por isso, temos de facto números que são particularmente graves", afirmou Luís Neves, em conferência de imprensa no Ministério da Administração Interna.

Para inverter este cenário, Luís Neves anunciou que as forças de segurança vão reforçar a fiscalização nas estradas, em função dos locais e horários em que se observa maior concentração de comportamentos de risco.

"No próximo fim de semana (…) irão ocorrer muitas operações, com foco na imprevisibilidade e no facto de quem atua no terreno não estar sinalizado". Segundo o ministro, as operações "vão decorrer em todo o país", com particular incidência nos "pontos críticos" identificados pelas autoridades.

Em nota enviada à comunicação social, o Ministério da Administração Interna explica ainda que será colocado em prática um plano extraordinário de fiscalização em zonas urbanas. A estratégia prevê a identificação e intervenção urgente nos locais com maior incidência deste tipo de acidentes, o reforço da iluminação, sinalização e visibilidade das passadeiras, e o lançamento de uma campanha de consciencialização, dirigida tanto a condutores, como a peões.

scroll up