Pressionada pelos fabricantes e por um mercado que teima em não adotar os veículos elétricos como esperado, em dezembro a Comissão Europeia recuou nas suas ambiciosas metas de emissões.
A proposta fixou-se numa redução de 90% das emissões de CO2 em 2035 face a 2021, em vez de exigir emissões zero para todos os carros e carrinhas novos.
Agora, em resposta a este recuo, o grupo ambientalista Transport & Environment (T&E) criticou este recuo como o maior enfraquecimento das políticas verdes da UE em anos, por permitir a continuidade de vendas de veículos com elevadas emissões, enquanto a China avança mais rapidamente na produção de veículos elétricos (BEV).
Segundo um relatório divulgado pelo T&E, após 2035 as marcas poderão vender entre 5% e 50% de veículos não totalmente elétricos.
Newsletter Revista
Receba as novidades do mundo automóvel e do universo ACP.
O valor mais baixo caso continuem a comercializar modelos a combustão com elevadas emissões, e o mais alto se optarem por híbridos plug-in de maior eficiência.
O grupo aponta como cenário mais provável cerca de 15%, combinando carros a combustão e híbridos plug-in.
Além disso, o relatório sublinha que, com o adiamento do prazo para cumprir as metas de 2030, as emissões de CO2 dos automóveis entre 2025 e 2050 poderão ser 10% superiores às previstas pelas regras atuais.
A Comissão argumentou que as suas propostas vão apoiar as vendas de veículos elétricos na UE e permitir poupanças de 2,1 mil milhões de euros para os fabricantes ao longo de três anos, libertando recursos para inovação e novos modelos elétricos.
No entanto, o T&E alerta para o risco de o texto ser ainda mais flexibilizado quando for debatido no Parlamento Europeu e no Conselho, os dois órgãos que terão de aprovar as alterações.