O tenente-general Rui Veloso é de opinião “que o regresso da Brigada de Trânsito com cerca de 1.800, 1.900 militares, consegue novamente assumir o controlo total sobre os itinerários principais e as autoestradas do país”. Extinta há quase 20 anos, a reativação da BT foi anunciada em abril passado pelo ministro da Administração Interna como uma medida de reduzir a sinistralidade rodoviária nacional.
O comandante-geral da GNR considerou ainda que “a segurança rodoviária é um dos maiores problemas de segurança interna no país”, defendendo que “tem de ser feito alguma coisa” para que os números sejam alterados e controlados”. “Julgo que a Brigada de Trânsito irá ter a quota parte, precisamente, no controlo dessa sinistralidade”, salientou, defendendo que tem de haver “uma maior presença na estrada e maior visibilidade nas patrulhas”.
Com a BT, segundo o responsável, vai passar a existir “mais fiscalização, mais patrulhamento e mais controlo”. “As pessoas vão sentir que está ali uma patrulha, seja para fiscalizar, seja para controlar, seja para ajudar. Acho que as próprias pessoas terão uma mentalidade completamente diferente e esperamos com isso também reduzir a sinistralidade”, precisou, recusando que este reforço da visibilidade nas estradas seja uma “caça à multa”.
Rui Veloso considerou que “mais importante do que levantar um auto é fazer a prevenção e visibilidade porque, se um automobilista olhar para uma patrulha e ver a patrulha, o comportamento muda completamente”. Apesar de não existir ainda uma data prevista para a entrada em funções da BT, o comandante-geral da GNR confessou que gostaria que a reativação fosse antes de 2027, apesar do trabalho que ainda há para fazer e de ser necessário encontrar um local para a sede da BT.
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“Criar novamente uma brigada, ou seja, uma unidade nacional demora o seu tempo, requer mais efetivos, requer aqui também a nível de comando e controlo criar uma sala de situação própria para fazer o controlo do trânsito a nível nacional”, disse, explicando que com o fim da BT o controlo do trânsito passou a ficar dividido pelos comandos distritais. “Agora, viu-se que este tempo demonstrou que foi um erro ter acabado com a BT e essa também é a minha opinião, enquanto comandante-geral, e sempre o defendi”, disse, afirmando que é preciso também formar mais militares nesta área porque “andar no trânsito requer formação específica”.
Sobre um local para a sede da BT, porque atualmente o trânsito funciona na Escola da Guarda, em Queluz, Rui Veloso acrescentou: “Há um projeto antigo, que já vem de há muitos anos, que tem a ver com um terreno que temos no Fogueteiro, que era precisamente para criar o comando da BT e também uma escola de trânsito. Um pouco à semelhança ao que existe em Espanha, em Mérida, uma escola de trânsito muito reconhecida a nível mundial. Só que este projeto vai demorar muitos anos”. No entanto, referiu, que para já a GNR está a tentar encontrar um outro local para instalar o comando da BT, estando a instituição a tentar encontrar esse local. Rui Veloso disse também que é necessário alterar alguma legislação, nomeadamente a lei orgânica da GNR. “Estamos a fazer estes estudos e esperamos em breve apresentar ao ministro toda esta alteração legislativa e, o quanto antes, tentar voltar a criar a Brigada de Trânsito”, adiantou.
Questionado sobre se BT vai retirar competências à PSP na área do trânsito, referiu que não, mas realçou que “não faz sentido haver autoestradas ou itinerários principais partilhados porque a questão do trânsito e os movimentos são nacionais". Disse ainda que não faz sentido, que na mesma autoestrada ou itinerário, a PSP seja responsável por alguns quilómetros, nos quilómetros seguintes seja a GNR e depois mais à frente volta a ser a PSP.