O preço de competir no MotoGP

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O Campeonato do Mundo de Motociclismo envolve muitos milhões de euros. Além dos predicados desportivos dos atletas, o orçamento das equipas é um fator decisivo.

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Correr no MotoGP não está ao alcance da maioria dos pilotos, quer pela competência desportiva quer pelos montantes envolvidos. Segundo um levantamento efetuado pelo RACC, optar por competir com uma moto “satélite” pode custar qualquer coisa como mais de dois milhões de euros por temporada a uma equipa, e isto sem contar com todas as outras despesas, como equipamentos, staff e logística.

No caso de uma equipa oficial de fábrica, o orçamento sobe para mais de três milhões de euros. A tremenda evolução do MotoGP nos últimos anos é, desde logo, o maior fator de inflação dos números.

Desde a era dos 500 cc a dois tempos, até à chegada em 2002 das 990 cc a quatro tempos e posteriormente das 800 cc, o aparecimento das 1.000, em 2012, e a eletrónica comumpermitiu uma redução de custos e uma maior igualdadedesde entre pares, pelo menos ao nível das equipas satélite. Estas motos superam os 360 km/h, com 250 cv e pesam apenas 150 kg. Protótipos com um nível de exigência feroz e que só os melhores as conseguem levar à vitória.

Nesta atípica temporada de 2020, em que pilotos de estruturas satélite como as de Miguel Oliveira (KTM Tech3) e Fabio Quartararo (Petronas Yamaha) conquistaram os lugares mais altos do pódio, a igualdade de oportunidades está no máximo. Circunstância em muito permitida pela ausência de Marc Márquez e a pouca garra da HRC e Yamaha ao longo do campeonato, que colocam a KTM e a Ducati como grandes favoritas.

A moto

Mas afinal qual é o preço para competir com garantias no mundial de motociclismo? Uma MotoGP oficial supera os três milhões de euros por temporada, sem contar com os custos de desenvolvimento da moto. 

Para as equipas satélite, o preço do aluguer das duas motos necessárias por piloto para competir é mais baixo, ainda assim sempre acima dos dois milhões de euros. Um valor que conta com as evoluções das marcas, mas que não incluí consumíveis e trocas indispensáveis para competir.

Por partes, o preço de um motor oscila entre 200 e 250 mil euros conforme o fabricante, sendo que o mais dispendioso são as substituições das caixas de velocidade seamless, um componente que surgiu nas últimas temporadas e que sozinho custa 650 mil euros.

sistema eletrónico, com sensores, cabos e painel, rondam os cem mil euros. Por exemplo, o painel custa 2.500 € e nenhum componente eletrónico fica por menos de mil euros. O sistema de travões é outra das peças mais caras de uma MotoGP. De acordo com o regulamento da Federação Internacional de Motociclismo, o preço de um kit de travões dianteiro composto por três pares de pinças, 10 discos de carbono, três cilindros e 28 pastilhas está fixado em 70 mil euros, aos quais se têm que somar o resto de peças extra necessárias para completar a temporada.

único componente que não se paga são os pneus. O fornecedor oficial, a Michelin, atribui um total de 22 pneus slick por piloto e Grande Prémio: 10 para a roda da frente e 12 traseiros nos três tipos disponíveis (macios, médio e duro), conseguindo um jogo adicional em caso de participar nas duas sessões de classificação. Em caso de chuva, os pilotos dispõem de 13 pneus apropriados (6 dianteiros e 7 traseiros), havendo lugar a um jogo extra caso chova em pelo menos em quatro sessões de sexta e sábado. A isto juntam-se as jantes em fibra de carbono, com um preço de 4.000€ por unidade.

A todos estes números há que somar a possibilidade de uma queda, já que uma “ida ao tapete” pode custar à equipa entre 15 a 20 mil euros em reparações com a substituição da carenagem, poisa pés ou manetas de travão, entre outros. E se a queda for grave é melhor contar com cem mil euros para a troca de outros componentes, como jantes, disco de travão, radiadores, etc. No caso de haver danos estruturais, ao nível do chassis, eletrónica ou suspensão, a fatura ultrapassa facilmente o meio milhão de euros. Daí que o orçamento anual se estime em 3,5 milhões de euros.

A equipa

Uma equipa de assistência conta com 30 a 40 elementos durante as 19 provas do campeonato. Significa que há que contar com mil a 1.500 euros para deslocações por pessoa por Grande Prémio, dependendo do destino, a que é preciso somar o chefe de equipa, pilotos e restante staff. Ou seja, neste capítulo há que contar com cerca de 35 mil euros por pessoa durante uma temporada. Os salários dos pilotos podem oscilar entre os 200 mil euros até cifras de 15 milhõesde euros como as que supostamente cobra o oito vezes campeão do mundo Marc Márquez.

À hospitality de cada prova somam-se dois milhões de euros por temporada, um elemento chave para a relação da equipa com os seus parceiros e patrocinadores, que desde há algumas épocas se tornou numa peça incontornável para a imagem das marcas. A isto há que juntar ainda os camiões, combustível para deslocações e demais apoio logístico.

Patrocínios

As equipas recebem 2,5 milhões por piloto através dos direitos televisivos da Dorna, promotora do mundial. Segundo a RTR Sports Marketing, o patrocínio total de uma equipa oficial ronda os 12,2 milhões de euros por temporada, variando as condições

de acordo com os resultados e uso da imagem da equipa. Este valor oscila conforme se patrocina uma equipa entre um top5 e um top10, e entre dois e seis milhões no caso de uma equipa satélite. Se bem que estes números dependem de muitos fatores, o valor dos patrocínios de um parceiro mais pequeno de formação de topo situam-se entre os dois e os quatro milhões, enquanto numa equipa privada já é possível garantir exposição a partir dos 200.000€.

Preço total

A soma de todas estas parcelas, mais outros gastos derivados, faz com que o orçamento anual de uma equipa media de MotoGP ronde os 15 milhões de euros. No caso de uma equipa oficial de fábrica, o orçamento pode ultrapassar os 40 milhões, tendo em conta que estes dependem de uma marca que tem de projetar, desenvolver e evoluir as suas montadas.

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