Pininfarina: 90 anos a tornar os automóveis em objetos de culto

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Durante nove décadas esta empresa de design de carroçarias criou alguns dos mais emblemáticos modelos na história automóvel.

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A Pininfarina comemora 90 anos. Reconhecida casa italiana ligada ao setor das carroçarias concebeu ao longo da sua história carros que marcaram gerações e conquistaram lugar de destaque na história do automóvel. Tudo começou em 1930 quando Giovanni Battista “Pinin” Farina (a alcunha "Pinin" significa "o pequeno" em dialecto de piemonte) decidiu fundar o que começou por ser uma oficina artesanal dedicada ao fabrico de carroçarias especiais mas que poucos anos depois se tornou numa indústria de referência que tratava o automóvel como objeto de beleza.

Logo a seguir à sua criação, a empresa com sede em Turim começou a impor-se através da ligação a marcas de referência como a Alfa Romeo, Isotta Fraschini, Hispano-Suiza, Fiat, Cadillac e Rolls-Royce. Mas foi a construção das primeiras carroçarias monocoque para a Lancia que marcou a sua atividade na década de 30. Disso são exemplo o Lancia Dilambda ou o Aprilia que em 1947 exibia uma aerodinâmica impensável para a época.

Com o despoletar da II Guerra Mundial, a Pininfarina que já reunia uma equipa de 400 trabalhadores produzia 150 carroçarias, especialmente para ambulâncias, até ser destruída por bombardeamentos e cessar a sua produção.

Voltaria e reerguer-se depois do conflito numa altura em que Itália foi banida do Salão Automóvel de Paris, mas Battista e o seu filho Sergio logo pensaram numa solução. Decidiram conduzir de Turim à capital francesa ao volante de dois exemplares carroçados pela empresa, um Alfa Romeo 6C 2500 S e um Lancia Aprilia Cabriolet, para estacionarem à frente do salão. A ideia resultou em pleno com os seus automóveis a cativarem as atenções do público.

No final de 1945, a Pininfarina voltaria a conquistar novo feito com a criação da carroçaria para o Cisitalia 202 Coupé, que lhe valeu honras do Museu da Arte Moderna, chamando a atenção da Nash-Kelvinator, para desenvolver carroçarias para a marca americana.

A década de 50 foi gloriosa com a parceria entre a empresa e a Ferrari que durou décadas. Desde essa altura, apenas o Dino 308 GT4 de 1973 e o LaFerrari de 2013 é que não foram desenhados pela casa de Turim. O Ferrari F12 Berlinetta foi o último, terminando a sua produção em 2017.

E ainda os anos 50 iam a meio quando para dar maior capacidade de resposta às crescentes encomendas a Pininfarina viu-se obrigada a mudar de instalações e com isso iniciar a produção de automóveis a uma maior escala, sendo o primeiro automóvel o Alfa Romeo Giulietta Spider.

Na década de 60 já com a empresa sob os comandos do filho do fundador, Sergio e do genro Renzo Carli, a Pininfarina começou a investir na ciência do design automóvel, uma estratégia que a fez distanciar-se das demais carrozzerias. Em 1966 inaugurou o departamento Studi e Ricerche, em Grugliasco, capaz de produzir 25 protótipos por ano, seguindo-se, em 1967, o Centro de Pesquisa e Design. Estes departamentos foram todos melhorados com a introdução do túnel de vento em 1972, permitindo criar formas de automóveis que marcaram pela sua beleza e elegância.

Também os anos 80 foram importantes no percurso da empresa, imparável na sua atividade, nomeadamente com a produção do Cadillac Allanté. Nos anos 90, a Pininfarina entrou em negociações com a Mitsubishi resultando na produção do Pajero Pinin. Como já era tradição, a casa de Turim produzia modelos descapotáveis e desportivos para a Peugeot e o mesmo se passou com o 406 Coupé, tendo a seu cargo o design e a produção. Já no novo milénio, abriu um centro de engenharia, em outubro de 2002. No ano seguinte cooperou com a Volvo, resultando na Pininfarina Sverige AB para a produção do Volvo C70.

Apesar de toda esta prosperidade, a crise económica de 2008 não poupou a empresa que viu o seu capital ser reforçado com a entrada de cinco investidores - Piero Ferrari, Alberto Bombassei (presidente da Brembo), a família Marsiaj (fundadores da Sabelt), Vincent Bolloré e Ratan Tata (presidente do Grupo Tata). Em dezembro de 2011, decidiu acabar com toda a produção automóvel, sendo que os últimos modelos produzidos foram os Alfa Romeo Brera e Spider, no ano anterior.

Em 2015, a Mahindra Group adquiriu a Pininfarina, ficando como acionista maioritário. Em 2018, foi anunciado que a Pininfarina, agora denominada Automobili Pininfarina, iria iniciar a produção de veículos eléctricos de luxo e desportivos.

Muita coisa aconteceu na história da Pininfarina que continua a ser uma empresa familiar, pois após a passagem do testemunho do fundador para o seu filho, Sergio Pininfarina, este manteve-se até 2001. Seguiu-se o neto do fundador, Andrea Pininfarina, até à sua morte em 2008. O CEO da empresa passou a ser o seu irmão mais novo, Paolo Pininfarina, que se mantém no cargo até hoje.

Mas a Pininfarina não são só automóveis, também concebeu comboios de alta velocidade, autocarros, jatos privados, aviões, iates e projectos na área da arquitetura. Ao longo de quase um século de história, foram vários o designers de referência que deixaram a sua marca nos ateliers da empresa, como Franco Scaglione, Tom Tjaarda, Filippo Sapino, Paolo Matin e Pietro Camardella.

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