Maior controlo nas inspeções ajudaria a reduzir importações de usados

| Revista ACP

No balanço anual ao mercado automóvel nacional, ACAP alertou para o número elevado de importações de veículos usados, que considera ser uma barreira ao rejuvenescimento do parque automóvel.

ACAP-direcao

Dos 225.039 veículos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal, em 2025 (+7,3% face a 2024), 120.787 eram usados importados. Ou seja, 53,7% dos novos registos automóveis no último ano correspondiam a automóveis que já tinham sido registados antes noutro país.

Quem o diz é a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que revelou os números durante a sua conferência anual que serve de ponto de situação ao mercado automóvel nacional.

De acordo com a associação, o país continua a ter um parque automóvel envelhecido e poluente, onde 1,6 milhões de automóveis têm mais de 20 anos de idade. E o número de importados usados está a aumentar, dificultando o rejuvenescimento do parque automóvel.

A ACAP considera que um dos caminhos a tomar para mitigar o problema passa por uma maior controlo nos centros de inspeção, em particular sobre os filtros de partículas, para diminuir o peso das importações de usados, que em 2025 voltaram a representar mais de metade das novas matrículas em Portugal.

Se houver maior fiscalização nos centros de inspeção com os filtros de partículas, de acordo com a ACAP, um potencial comprador já não vai querer comprar um carro sem saber a sua exata condição.

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Entre os veículos importados em 2025, 33% são a gasóleo, contra 6% nos veículos matriculados pela primeira vez em Portugal. Ao mesmo tempo, os motores a combustão a gasolina representaram 31% dos importados, contra 25% nas primeiras matrículas nacionais.

Ora, a idade média das importações situa-se em 7,9 anos. Mais de um terço dos veículos importados (36%) tinha entre cinco e 10 anos e 28% mais de 10 anos.

No entender da associação, esta idade mais elevada acaba por contribuir para a sinistralidade rodoviária, por serem carros mais antigos.

Por isso, a ACAP volta a propor a criação "urgente" de um plano destinado a adquirir ligeiros de passageiros ou de mercadorias, veículos eléctricos ou electrificados, assim como com motores de combustão de baixas emissões, e com primeira matrícula portuguesa o apelo de aprofundar o incentivo ao abate.

Assim, simultaneamente, a associação defende a reintrodução do programa de abate que vigorou em 2009.

Esse novo programa de abate teria de contemplar a retirada de circulação de até 40 mil veículos em 2026, com um valor médio de incentivo de 4 mil euros por veículo. Esse valor seria majorado para 5 mil euros no caso do novo veículo a adquirir ser eléctrico.

A associação acredita que um programa com este desenho "contribuiria para uma poupança energética de 3,2 milhões de litros de combustível/ano (o equivalente a 33.200 barris de petróleo) e à emissão de menos 10.800 de toneladas de dióxido de carbono/ano".

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