Grândola

Praias, pinhais e planícies

"Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
que já não sabia a idade"
José Afonso, Grândola, Vila Morena

As palavras são do intemporal Zeca Afonso, na música que iria mais tarde impulsionar a revolução que marcou para sempre Portugal. É verdade que mais facilmente associamos a região de Grândola à Revolução dos Cravos – e com devida razão –, mas a sua posição geográfica tem muitas histórias para contar. O Concelho de Grândola, como os seus limítrofes, situa-se com um pé no litoral e outro no sul do país, usufruindo de ambos os lados. Há uma considerável variedade de aspetos naturais que dão à região uma riqueza inigualável: uma extensa faixa costeira, planícies e serras de cortar a respiração – com uma altitude máxima pouco acima dos 300m –, longos caminhos xistosos e uma predominância de sobreiros.

A planície estende-se da serra à bacia do Sado, zona de areia e de pinhais, intimamente ligada à costa com as suas praias cujo ponto de partida é em Tróia.

Muxama de atum

Uma paisagem tradicional
Plantação de sobreiros em Grândola

Pôr do sol na Ria Formosa

A água com vida e que convida
Um exemplo da rica faixa costeira da região

 

A serra é maioritariamente preenchida pelo montado de sobro e azinho, sem esquecer a presença de certas plantas, como a esteva, a urze, a sargaça, o carrasco e o medronheiro. Já na planície, o pinheiro impera (tanto o manso como o bravo), juntamente com os sobreiros, os tojos e os rosmarinhos. São nas planícies que encontramos os principais núcleos populacionais. O litoral é uma parte igualmente importante de Grândola. Ao englobar a faixa de Tróia, o estuário do Sado, a Costa da Galé, a Lagoa de Melides, o Conselho abre portas para destinos onde dar um mergulho é essencial. Neste sentido, as praias são paragens obrigatórias, especialmente para quem tem como objetivo estender a toalha e descansar. Comporta, Carvalhal, Galé, além de tantas outras perto de Tróia, são os destinos mais procurados pelos turistas e continuam a deslumbrar quem por lá passa.

O século XIX veio com algumas transformações na região. Com a introdução da indústria mineira – de extração de pirites, por exemplo, com início de atividade em Canal Caveira, passando pouco depois para Lousal –, a economia teve um desenvolvimento significativo, fazendo com que mais pessoas se fixassem no Concelho. Descobriu-se a dada altura que a faixa ibérica subterrânea de pirites se estendia do Vale do Sado a Sevilha, com cerca de 250km de extensão e 40 de largura.

A história destas minas iniciou-se com a descoberta da jazida do Lousal, em 1882, por um lavrador de nome António Manuel. A mina foi registada em seu nome e obteve a concessão provisória três anos depois – concessão esta que foi transmitida ao engenheiro de minas Alfredo Masson, que a explorou até 1899, data em que cessou as atividades. Seguiram-se outros detentores da mesma mina, ao longo dos anos. Foi, no entanto, nos anos 30 do século XX que se assistiu a uma exploração mais intensa, tendo em conta a crescente importância e o valor económico das pirites cupríferas, em virtude do ácido sulfúrico.

Conhecer a História 

Após a reconquista, a zona de Grândola ficou a pertencer a Santiago do Cacém e à Ordem de Santiago da Espada. Durante o reinado de D. João I, criou-se a comenda de Grândola e, anos mais tarde, com a política de povoamento dos reis e da Ordem, foram distribuídos terrenos, construídas igrejas, moinhos e outras instalações. A região passou a ser vista como uma aldeia a sério. Posteriormente, com o progresso civilizacional e económico, havia motivos suficientes para que se desprendesse de Santiago. Tal momento só aconteceu em 1544, devido essencialmente à Carta de Vila. A partir daí, a população cresceu de forma exponencial, tendo sempre a agricultura como atividade principal – sendo a cultura do arroz a mais significativa.

Só no século XIX é que a atividade mineira ganhou exposição: primeiro no Canal Caveira e depois no Lousal. A indústria corticeira ganhou nesta altura bastante importância, devido essencialmente à abundância de pinheiros e sobreiros da terra. A construção da linha de Caminho de Ferro do Sado, que favorecia trocas comerciais, tornou-se num elemento-chave deste negócio. Foi também neste século que Grândola passou a ter as freguesias da orla costeira – Melides e S. Mamede do Sádão.

O século XX trouxe inovações para a região: incentivou-se a cultura dos cereais e do arroz, nas várzeas de Melides e Carvalhal, os níveis de exploração mineira aumentaram, as trocas comerciais entre vários concelhos aconteciam com mais frequência. Tais modernizações fizeram com quem se instalassem milhares de pessoas em Grândola, fazendo disparar os índices demográficos. O número de trabalhadores rurais, operários e mineiros em condições precárias cresceu, mas a consciência política também: as repressões sentidas durante a época do Estado Novo fizeram nascer várias greves e outras manifestações populares, o que trouxe a esta terra a sua reputação revolucionária.

Após o 25 de Abril, várias foram as medidas de índole social que se instauraram devido fundamentalmente à mudança radical do espectro político. O Concelho entrou numa fase onde o poder autárquico adquiria novas e importantes expressões: o desenvolvimento do turismo e de ofertas de serviços – com uma especial inclinação para a preservação ambiental e fomentação cultural – foram (e ainda são) grandes polos de atenção.


Praia de Grandola


Uma gastronomia por descobrir

O município de Grândola beneficia de duas grandes influências gastronómicas: a do Alentejo, com as suas açordas, migas, pratos à base de carne de porco e de borrego; e a da linha de costa, devido às atividades piscatórias, onde podemos destacar as várias maneiras de cozinhar o peixe – maioritariamente em sopas e massas –, e as enguias, sob a forma de ensopado, caldeirada ou fritas. Se a conversa for sobre doces, então podem distinguir-se as alcomonias e os rebuçados de pinhão de Melides. Eis aqui alguns pratos tradicionais para lhe abrirem o apetite. 

 mariscada à moda de Grândola

cozido à portuguesa

 

 Bolos das Rosas

Alcomonias

Fotos da autoria visitgrandola.com


O que fazer

Ao descobrir Grândola, pode sempre contar com a paisagem alentejana como pano de fundo. Desde passeios ao ar livre, entre quintas, barragens e também pelas imensas praias, a excursões históricas e cheias de misticismo: esta região tem de tudo um pouco – o importante é deixar-se perder e recebê-la de braços bem abertos. Deixamos aqui as nossas sugestões.

1. Um dia para (re)viver a história. Há duas paragens que relembram e homenageiam os acontecimentos de um dos marcos mais importantes da história de Portugal: o Monumento à Liberdade, no Largo de São Sebastião, e o Memorial ao 25 de Abril, na Avenida D. Nuno Álvares Pereira. Uma vez que o espírito de revolução faz parte do ADN de Grândola, estes dois sítios celebram a implantação da democracia no nosso país – o Memorial possui ainda uma lista dos nomes de muitos Capitães de Abril, assim como um exemplar da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
 

2. Um dia em grandes alturas. A serra de Grândola atrai todos os anos centenas de turistas que têm como objetivo aventurar-se nas suas especificidades: constituída maioritariamente por xistos – e com uma altura de 326 metros –, o que a distancia das outras serras portuguesas é o facto de ser paralela à costa e não oblíqua, fazendo com que a entrada do ar marítimo seja difícil. Há, no entanto, dois principais cursos de água, a ribeira de Grândola e o rio Davino, que completam a paisagem e dão um aspeto mais completo à região.
 

3. Um dia pelos museus. Tal como já foi referido, o aspeto histórico é uma componente de grande importância para Grândola e os museus são a plena prova viva. Ao pé do mar, o Museu do Arroz é uma porta aberta para uma atividade que marcou (e ainda marca) a região alentejana. Com mais de 70 anos, foi criado numa antiga fábrica de descasque de arroz cujas várias ferramentas e máquinas ainda estão preservadas e expostas para o público. A uma viagem de 30 minutos, o Museu de Arte Sacra de Grândola encontra-se instalado na igreja de São Sebastião e, entre as suas paredes, podemos pôr os olhos em pinturas, esculturas e artes religiosas de outros tempos.
 

4. Um dia de manga curta e de chinelos. Quem vai ao Alentejo tem de passar, pelo menos, um dia com os pés na água. Entre praias, lagoas, rios e barragens, muitas são as oportunidades para estender uma toalha e apanhar um pouco de sol. A Praia da Comporta é uma visita indispensável, devido essencialmente ao longo areal branco e à água esverdeada. Este pequeno pedaço tropical em Portugal permite ainda praticar alguns desportos aquáticos, como surf, kitesurf, bobyboard e ainda pesca desportiva. Se tiver tempo, pode ainda dar um passeio a cavalo. Não com a mesma dimensão, mas com uma igual atração, a Lagoa de Melides ocupa pequenas ilhas cobertas de vegetação hidrófila, tendo um papel ecológico na dinâmica da região. Este é um sítio ideal para tardes calmas, rodeadas por fauna e flora, e para se desligar na totalidade. 

 

Como chegar

De carro: 

  • Vindo do Norte: Siga pela A1 até Santarém, onde deverá sair e seguir as indicações A13/Algarve. Depois, atravesse a Ponte Salgueiro Maia, que liga Santarém a Almeirim, e siga caminho pela A13 em direção ao Algarve. Conduze depois em direção à A2 e saia em Grândola (saída 09). Troço com portagens. Sem portagens: Nos Carvalhos, escolha o IC1/EN1; em Perozinho (Gaia), ingresse no IC2/EN1 e siga pelo IC24 em direcção a Lisboa; em Alverca, siga pela EN10 e, posteriormente, IC1 até Grândola.
  • Vindo de Lisboa: Saia de Lisboa, pela Ponte 25 de Abril, tome a A2 em direcção ao Algarve; pela Ponte Vasco da Gama, tome a A12 e posteriormente a A2/Algarve. Na A2 saia em Grândola (saída 09). Troço com portagens. Sem portagens: Siga para Norte pela EN1, em direcção a Sacavém. No IP1/A1, saia em Alverca/Alhandra/Bucelas. Tome a EN10 e, posteriormente, IC1 até Grândola.
  • Vindo do Algarve: Vá pela A22, saia no sentido Lisboa – Messines (saída 10) e entre na A2. Para chegar a Grândola, toma a saída 10 da A2 de Grândola e Siga pelo IC1 até Grândola. Troço com portagens. Sem portagens: Siga pela N125 até à saída para o IC1, sentido Lisboa – Ourique. Siga no IC1 até chegar a Grândola.

De autocarro: 

  • Através da Rede Expresso, pode consultar a tempo real os autocarros que param em Grândola, assim como os respetivos horários. A Rodoviária do Alentejo faz a ligação a várias localidades da região.

De comboio: 

  • Através da linha Sul, que liga Lisboa ao Algarve, param os comboios Alfa Pendular e Intercidades. Consulte as principais paragens, assim como os respetivos horários no site da Comboios de Portugal (CP). 

 

Sugestão de itinerário 1: 80 km

Visita de Grândola, dos seus pontos de interesse, bem como os das freguesias indicadas. Neste percurso, poderá ver alguns dos valores de património que não ficam exatamente nas principais localidades, assim como alguns monumentos megalíticos da região.

Sugestão de itinerário 2: 114 km

Visita de Santiago do Cacém, dos seus pontos de interesse, bem como os das freguesias indicadas. Neste percurso, passará por Tróia, sem esquecer as maravilhosas paisagens proporcionadas pelas belas e inestimáveis ruínas romanas.

 

Sugestão de itinerário 3: 56 km

Visita de Santiago do Cacém, dos seus pontos de interesse, bem como os das freguesias principais. Neste percurso, já em Melides, é praticamente obrigatório visitar o Vale Figueira, que pertence àquela freguesia, um local cheio de verde onde pode inspirar e expirar bem fundo.

 

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