Falta de mão de obra pressiona custos nas oficinas

| Revista ACP

Faltam mecânicos, pintores, eletricistas e outros profissionais nas oficinas de automóveis. Consideradas profissões qualificadas, a ida do carro à oficina está a ser inflacionada.

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A escassez de profissionais e o aumento dos custos com pessoal estão a pressionar a rentabilidade das oficinas de automóveis em Portugal, alertou o secretário-geral da Associação Nacional Das Empresas Do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), Roberto Gaspar, em mais um podcast do ACP.

“Hoje existe um problema que é precisamente o custo de mão de obra”, afirmou Roberto Gaspar, defendendo que a subida dos encargos não tem sido acompanhada proporcionalmente pelos preços cobrados aos clientes. 

Segundo Roberto Gaspar, as oficinas independentes praticam um preço médio de 30 euros por hora de mão de obra, enquanto nas oficinas de marca o valor ronda os 50 euros. Estes preços são, segundo o líder da ANECRA, menos de metade dos praticados na Alemanha, França e Bélgica.

A pressão resulta, em parte, da dificuldade em recrutar e reter trabalhadores qualificados.

A ANECRA estima, com base em inquéritos aos associados e projeções do setor, que sejam necessários até cinco mil profissionais adicionais para responder às necessidades do mercado. 

A carência abrange várias profissões, desde mecânicos a técnicos de mecatrónica, mas é particularmente acentuada na área da colisão, que engloba a chapa e a pintura automóvel.

A escassez de trabalhadores, por outro lado, tem também levado à valorização de algumas profissões. Roberto Gaspar destacou que os bons profissionais de pintura automóvel podem alcançar remunerações elevadas, devido à concorrência entre empresas para recrutar pessoal qualificado.

 

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Por outro lado, a falta de profissionais está a dilatar o tempo das reparações.

“Temos oficinas com trabalho muitas vezes atrasado, com semanas até conseguir fazer um determinado tipo de trabalho”, referiu Roberto Gaspar, apontando a falta de profissionais como um dos fatores que condicionam a capacidade de resposta.

O problema é agravado pelo envelhecimento do parque automóvel nacional. Desde o período pós-pandemia, o número de viaturas em circulação terá aumentado entre 600 mil e 700 mil, enquanto a idade média dos veículos se situa nos 14,3 anos, com 40% a ultrapassarem os 15 anos.

O responsável considerou, contudo, que o setor enfrenta mudanças estruturais que obrigam as empresas a adaptar os seus modelos de negócio. A expansão dos veículos elétricos exige novas competências técnicas e formação específica.

Em paralelo, a reutilização de peças usadas e recondicionadas ganha espaço, impulsionada pela economia circular e pela necessidade de tornar algumas reparações economicamente viáveis.

O mercado português de pós-venda automóvel vale cerca de três mil milhões de euros, dos quais aproximadamente 70% correspondem a peças, segundo dados avançados por Roberto Gaspar.

Perante estas transformações, o secretário-geral da ANECRA defendeu que as oficinas terão de se reinventar, num contexto em que a procura continua elevada, mas os custos e a evolução tecnológica colocam novos desafios à rentabilidade.


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