"Baja Portalegre e Dakar são os melhores do mundo"

| Revista ACP

Duarte Nobre Guedes recorda quatro décadas de histórias e emoções na Baja Portalegre.

@video=PDdts2EKzeY

Duarte Nobre Guedes recorda a sua ligação à Baja Portalegre 500 desde as primeiras edições da prova, numa altura em que o todo-o-terreno tinha um espírito muito diferente do atual. A sua primeira participação surgiu quase por acaso, depois de um convite de José Megre, e ao volante de um Pajero encarou a prova como uma aventura de fim de semana.

O carro não estava preparado para as exigências da competição e acabou por ficar pelo caminho, mas nasceu aí o gosto pelo todo-o-terreno. Depois de uma participação de moto, viria a verdadeira afirmação em 1990, quando regressou com um Nissan Terrano preparado para competição e venceu a Baja Portalegre.

O piloto recorda uma época em que ainda havia espaço para os chamados gentleman drivers, permitindo a pilotos amadores competir e alcançar resultados de destaque. Duarte nunca encarou o automobilismo como uma carreira profissional, mas conseguiu construir um percurso notável, participando em provas nacionais e internacionais e competindo em África, no Dakar e em diferentes campeonatos de todo-o-terreno. Destaca a evolução dos carros, da segurança e do profissionalismo, lembrando que, na sua época, as provas eram verdadeiras maratonas, com etapas de centenas de quilómetros e condições muito mais rudimentares.

Entre as várias histórias partilhadas, destaca-se a vitória numa etapa do Dakar, em 1997, num episódio que o próprio Duarte classifica como quase um milagre. Numa etapa de cerca de 650 quilómetros entre o Níger e o Mali, acabou por seguir um percurso diferente dos restantes concorrentes e, apesar de estar convencido de que estava perdido, encontrou a meta antes de todos os outros carros e motos. A circunstância permitiu-lhe conquistar uma vitória inédita, num dos momentos mais especiais da sua carreira.

Duarte explica também porque sempre se identificou mais com o todo-o-terreno do que com outras disciplinas. Enquanto os circuitos lhe pareciam demasiado repetitivos e os ralis exigiam um estudo minucioso de cada curva e trajetória, o todo-o-terreno oferecia uma constante novidade e obrigava o piloto a improvisar perante condições que estavam sempre a mudar. Foi essa imprevisibilidade, aliada à possibilidade de enfrentar situações difíceis e não controladas, que tornou a modalidade tão apaixonante para si.

Ao recordar quatro décadas de Baja Portalegre, Duarte coloca a prova ao lado de referências como Vila Real, Sintra e o Dakar como um dos grandes marcos do seu percurso desportivo. Apesar da evolução da modalidade e do aumento dos custos e do profissionalismo, mantém uma ligação especial à prova, que continua a visitar regularmente. Para Duarte Nobre Guedes, ter o seu nome associado à história da Baja Portalegre 500 é, ainda hoje, uma honra e um privilégio.

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