André lançou um Citroen para as mulheres há 97 anos

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O construtor francês seduziu o público feminino ao apresentar um carro mais confortável e fácil de conduzir.

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Numa época em que comprar carro não era para todos, houve alguém da indústria automóvel que resolveu dar uma ajuda e democratizar a aquisição de um bem ainda muito exclusivo. Esse alguém foi André Citroen, visionário e fundador da marca francesa que para alargar o seu leque de clientes implementou a venda a crédito. Também foi o primeiro construtor de automóveis a reproduzir os seus modelos para crianças. Dessa forma, Citroen acreditava que os mais novos tornar-se-iam em futuros compradores dos seus carros. Não satisfeito com estas apostas bem sucedidas, viu no mercado um nicho ainda por explorar: o das condutoras.

Para isso idealizou um automóvel especialmente destinado às mulheres, que fosse mais pequeno, mais confortável e mais fácil de conduzir. Chamou-lhe Citroen 5 CV e apresentou-o no Salão de Paris em 1922, mas este carro acabou por ficar conhecido como o “pequeno limão” pela cor e tamanho. Com apenas 3,1 m de comprimento e 1,5 m de altura, este modelo de dois lugares rapidamente conquistou o público feminino.

Começou por dar nas vistas no certame, mas foi uma original campanha publicitária  de lançamento que o atirou definitivamente para as mãos das condutoras. Nos cartazes de promoção, eram as mulheres que assumiam maior protagonismo, ficando o carro para segundo plano. Um destaque que agradou às futuras clientes que ficaram com vontade de ter o seu próprio carro.

Tratava-se de um carro muito diferente dos outros, normalmente pesados e difíceis de conduzir, que exigiam grande esforço físico. O Citroen 5 CV contrastava com essas caraterísticas e até estava equipado com detalhes sofisticados. Dispensava a tradicional manivela para o por a trabalhar, já que tinha um arranque elétrico e os seus pneus, mais estreitos que o normal, também proporcionavam maior conforto ao volante. Com motor de 4 cilindros e apenas 5 cavalos de potência, era o automóvel ideal para as senhoras que quisessem tornar-se mais independentes e dispensar o motorista. Produzido entre 1922 e 1926, venderam-se 83.000 unidades na Europa, um número impressionante para a altura.

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