Com uma história marcada por resiliência, inovação e um grande foco nas necessidades dos clientes, a Skoda, a sua evolução e o seu papel no mercado nacional estiveram em destaque no mais recente podcast do Automóvel Club de Portugal.
Para nos “guiar” ao longo de mais de 130 anos de ligação à mobilidade o jornalista do ACP, Francisco Costa Santos esteve à conversa com o diretor-geral da marca checa, Luís Mateus.
Nas palavras do responsável da marca, a história da Skoda é uma história de “capacidade de adaptação”, traço que considera determinante para a sobrevivência e crescimento da marca ao longo de mais de 130 anos.
“Desde 1895 até hoje, a Skoda passou por guerras mundiais, crises económicas e até pela anexação à ex-União Soviética, e conseguiu sempre adaptar-se”, afirma.
Para o diretor-geral, essa resiliência assenta em três pilares claros: foco no cliente, paixão pela construção automóvel e uma forte capacidade de resposta às mudanças do mercado.
Luís Mateus identifica dois momentos-chave na evolução da marca. O primeiro remonta a 1925, quando a empresa se integrou num grande conglomerado industrial, ganhando escala e capacidade produtiva.
O segundo surge em 1991, com a entrada no Grupo Volkswagen. “Foi aí que a Skoda passou a ter acesso ao melhor que existe em termos de tecnologia automóvel”, explica.
Apesar dessa integração, garante que a marca nunca perdeu identidade. “Houve sempre a preocupação de manter o ADN, o legado e a forma como olhamos para o cliente”, sublinha.
Esse foco traduz-se, segundo o responsável, na filosofia “Simply Clever”. Mais do que um conceito de marketing, trata-se de uma abordagem prática ao desenvolvimento dos automóveis.
“É perceber exatamente o que o cliente valoriza e o que lhe facilita a vida no dia a dia”, diz, apontando como exemplo soluções simples mas úteis, como o chapéu de chuva integrado na porta ou pequenos detalhes funcionais no interior dos modelos.
No portefólio da marca, Luís Mateus destaca o sucesso do Octavia como reflexo dessa filosofia.
“O carro não tem defeitos, só tem pontos fortes”, afirma, justificando o seu estatuto de best-seller.
Para o responsável, o segredo está no equilíbrio: “dá tudo aquilo que o cliente precisa: espaço, segurança, versatilidade e acessibilidade”.
A mesma lógica aplica-se aos modelos mais recentes. Sobre os elétricos, como o Enyaq, considera que representam um passo natural, mas alerta para a necessidade de pragmatismo.
"A transição para a mobilidade elétrica vai acontecer a velocidades diferentes consoante os países”, explica.
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Por isso, a estratégia da Skoda passa por manter uma oferta diversificada. “Temos de continuar a oferecer diesel, gasolina, híbridos e elétricos, enquanto os clientes assim o quiserem”, afirma, reforçando que o objetivo é acompanhar o mercado e não forçar uma mudança artificial.
Ainda assim, o investimento na eletrificação é claro. A marca está a reforçar a sua gama de veículos 100% elétricos, incluindo novos SUV e até carrinhas elétricas, uma tipologia particularmente valorizada pelos clientes da Skoda. “Sabemos que há clientes que querem carrinhas e temos de lhes dar resposta”, diz.
Outro tema abordado foi o papel do desporto automóvel. Luís Mateus garante que a presença nos ralis continua a fazer sentido.
“Não é pelo volume, é pelo legado, pelo know-how e pela paixão”, explica, destacando a importância desta vertente para a identidade da marca.
Em relação ao mercado português, o responsável mostra-se otimista, mas cauteloso. “Crescer é fácil, difícil é crescer de forma sustentada”, afirma, sublinhando a importância de preservar o valor da marca e garantir bons níveis de valorização no mercado de usados.
A nível europeu, a Skoda tem vindo a reforçar a sua posição, mas Luís Mateus deixa claro que a ambição não passa por liderar a qualquer custo. “Não queremos ser líderes, queremos ser uma marca de referência”, resume.
Olhando para o futuro, a visão mantém-se consistente com o passado. “A estratégia foi desenhada há anos e está a dar resultados”, conclui, confiante de que a combinação entre tradição, inovação e foco no cliente continuará a guiar a Skoda na próxima década.
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