Youngtimers atraem jovens para o universo dos clássicos

| Revista ACP

Com a evolução natural do conceito de automóvel clássico, modelos outrora considerados modernos passam agora a integrar o património histórico automóvel. E são esses modelos que começam a chamar os mais novos para este universo.

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O Automóvel Club de Portugal (ACP) uniu-se à FIA no programa Youth&Heritage para atrair os mais jovens para o universo dos automóveis clássicos. 

Um grupo de trabalho internacional já foi criado e está a preparar um plano de eventos e conteúdos sobre novos clássicos das décadas de 1980, 1990 e 2000, para renovar o interesse pelo património automóvel.

A iniciativa foi apresentada por Francisco Costa Santos, jornalista da Revista ACP e delegado pelo clube no referido grupo de trabalho internacional, em mais um podcast do ACP.

Segundo o responsável, o principal objetivo passa por compreender porque é que os jovens estão atualmente menos ligados ao automóvel e encontrar formas de despertar esse interesse.

O grupo reúne clubes automóveis de vários países e está a recolher exemplos de boas práticas a nível internacional, com vista à criação de uma estratégia comum. Entre as medidas previstas estão a produção de conteúdos digitais, organização de conversas temáticas e presença em grandes eventos internacionais dedicados ao automóvel clássico, como o Retromobile ou o Goodwood Festival of Speed.

Durante a conversa, Francisco Costa Santos explica que, embora o termo youngtimer seja frequentemente associado aos automóveis dos anos 80 e 90, a definição mais rigorosa aponta para veículos com cerca de 30 anos de idade. Ou seja, muitos modelos produzidos na segunda metade da década de 1990 e até no início dos anos 2000 começam agora a entrar nesta categoria.

Para o representante do ACP, a evolução natural do conceito de automóvel clássico faz com que modelos outrora considerados modernos passem a integrar o património automóvel.

 

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"Os carros que marcaram a infância e juventude das gerações atuais são diferentes dos clássicos tradicionais dos anos 50 ou 60, mas isso não lhes retira valor histórico ou emocional", argumenta.

Além da componente histórica, os novos clássicos oferecem vantagens práticas para quem pretende iniciar-se no colecionismo automóvel.

Equipados, na maioria dos casos, com motores de injeção eletrónica e tecnologias mais recentes, estes modelos são considerados mais fáceis de utilizar e manter do que muitos clássicos mais antigos.

Num contexto em que os veículos modernos são cada vez mais semelhantes entre si e fortemente digitalizados, conduzir um clássico transforma-se num momento de lazer e numa experiência diferenciadora.

A valorização destes modelos no mercado foi igualmente abordada. Francisco Costa Santos considera que alguns youngtimers já representam oportunidades de investimento, desde que sejam adquiridos em bom estado de conservação.

Entre os exemplos referidos estão o Porsche 911 da geração 996, o Mercedes-Benz SL R129, o Mazda MX-5 de primeira geração e o BMW Z3, modelos que, além do potencial de valorização, continuam a oferecer uma utilização regular.

Questionado sobre quais poderão ser os próximos modelos a ganhar destaque entre colecionadores, apontou as versões ligadas ao desporto automóvel como as mais promissoras. Entre elas, destacou o Toyota Celica GT-Four ST205, cuja ligação à competição poderá contribuir para uma valorização sustentada nos próximos anos.

Apesar da crescente dimensão do mercado de clássicos como investimento, Francisco Costa Santos defendeu que o verdadeiro valor destes automóveis continua a estar na sua utilização. "Os automóveis são para ser conduzidos e aproveitados", conclui, sublinhando que preservar este património passa também por mantê-lo vivo na estrada.


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