A gigante multinacional Bosch tem há muito uma aposta segura em Braga, na Bosch Car Multimedia, que atualmente trabalha mais como um centro de desenvolvimento, inovação e definição tecnológica do que como uma mera unidade industrial.
Quem o diz é Carlos Jardim, administrador da unidade, no mais recente episódio Made in Portugal, podcast do ACP.
"Já não somos uma fábrica de produção, mas sim uma localização que trabalha em toda a cadeia de valor", afirma o gestor.
De acordo com o responsável, a evolução recente da unidade permitiu passar da produção de componentes para o desenvolvimento de produtos complexos, industrialização de processos e para a criação de novas soluções para o setor automóvel.
Entre as principais apostas está o veículo definido por software e a condução autónoma.
"O software vai ser a chave principal do futuro do automóvel. É o software que vai definir como é que o carro se comporta, tornando-o mais conectado, mais específico e mais personalizado", argumenta.
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Em Braga já são desenvolvidos sensores que monitorizam o interior do veículo, capazes de detetar o estado do condutor ou responder automaticamente a situações de emergência.
No exterior, o destaque vai para os radares utilizados na condução autónoma.
"Estamos já não só a desenvolver os novos radares do futuro, mas também estamos a inovar. Começámos a introduzir inteligência artificial para que os radares se comportem como se seres humanos fossem", revela.
"Somos nós que estamos a definir os novos standards, os novos conceitos e as novas tecnologias de produção", acrescenta.
A transformação da Bosch Braga resulta, segundo o administrador, da confiança conquistada ao longo de décadas.
A colaboração com universidades portuguesas, nomeadamente a Universidade do Minho e a Universidade do Porto, é outro dos pilares desta estratégia. Nos últimos dez anos, a Bosch investiu cerca de 200 milhões de euros em projetos conjuntos de inovação.
"Temos investigadores da universidade a trabalhar connosco e colaboradores da Bosch a dar formação na universidade", destaca.
Apesar da crescente concorrência internacional, sobretudo da China, Carlos Jardim acredita que Portugal pode afirmar-se pela capacidade de inovar rapidamente: "Estávamos habituados a ciclos de inovação de dois ou três anos. Isso já não acontece. O futuro é meses."
E resume a ambição da fábrica de Braga numa frase: "Fala-se muito na qualidade alemã e na velocidade chinesa. Mas nós conseguimos entregar tudo a partir de Braga."
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