O que deve saber antes de ligar a moto

| Revista ACP

O número de pessoas que anda de moto nos meses de verão cresce habitualmente.

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No verão, aumenta o número de pessoas, com carta de moto ou habilitação equiparada, que escolhe a moto para as deslocações do dia a dia ou para viagens de lazer.

Os dados mais recentes mostram que a procura por veículos de duas rodas continua a crescer, mas também o número de acidentes envolvendo motociclistas. Por isso, nunca é demais recomendar boas práticas na hora de escolher uma moto para circular no trânsito.

Foi este o ponto de partida de uma conversa com Humberto Carvalho, diretor do ACP Formação. 

Para Humberto Carvalho, a condução de motociclos exige preparação e responsabilidade desde o primeiro momento. A habilitação para conduzir depende da categoria da carta e da idade do condutor, sendo possível iniciar a condução de ciclomotores aos 14 anos e chegar à categoria A, sem limitações, aos 24 anos.

Equipamento vai além do capacete

Embora a lei obrigue apenas ao uso de capacete homologado, o diretor do ACP Formação sublinha que a segurança vai muito além desse requisito.

"No motociclo, a proteção dos ocupantes é muito mais diminuta", refere.

Por isso, recomenda o uso de luvas, botas e vestuário de proteção, lembrando ainda que os capacetes têm prazo de validade e devem ser substituídos de acordo com as indicações do fabricante.

"Se tivermos um equipamento de proteção integral, a nossa defesa perante lesões ou ferimentos é muito mais garantida", acrescenta.

Documentação sempre disponível

Além da carta de condução e do documento de identificação, o motociclista deve garantir que transporta — em formato físico ou digital, através da aplicação gov.pt — os documentos obrigatórios do veículo, incluindo o documento único automóvel e o comprovativo do seguro. 

A ausência destes documentos pode resultar em coimas entre 60 e 300 euros.

 

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Circular em segurança

Na estrada, Humberto Carvalho recorda que a regra para os motociclos continua a ser circular "o mais à direita possível", adaptando apenas a trajetória quando necessário para fazer curvas em segurança, sem sair da respetiva via de trânsito.

Quando se circula em grupo, aconselha uma formação desencontrada, evitando que os motociclos sigam exatamente na mesma trajetória.

"O fator segurança tem que estar sempre presente."

Embora a lei permita, em determinadas circunstâncias, que dois motociclos circulem lado a lado, o especialista alerta que essa prática não deve servir para conversar durante a marcha, pois aumenta significativamente o risco de distração. 

Evitar ziguezaguear entre os carros

Uma das imagens mais comuns no trânsito urbano é a de motociclistas a passarem entre filas de automóveis. Humberto Carvalho reconhece que existem situações em que a circulação entre filas é permitida, mas alerta para os perigos.

"O que nós recomendamos é que as pessoas cumpram as regras de circulação, mas sobretudo que não se coloquem em risco."

Segundo o especialista, mudar constantemente de faixa reduz a visibilidade do motociclista perante os restantes condutores e aumenta a probabilidade de colisões.

A velocidade deve adaptar-se às condições

Os limites legais de velocidade para motociclos são os mesmos aplicáveis aos automóveis ligeiros. Ainda assim, Humberto Carvalho lembra que as motos são mais vulneráveis às condições da estrada, ao vento e ao estado do piso.

"Não nos temos que esquecer (...) que existe uma maior exposição."

Por isso, mesmo dentro dos limites legais, a velocidade deve ser adequada às condições de circulação e ao estado da via.

Antes da viagem, preparar o condutor e a moto

Para quem planeia uma viagem de verão sobre duas rodas, o especialista defende que a preparação começa pelo próprio motociclista.

"A primeira preocupação que eu tenho que ter é desde logo perceber, enquanto condutor, se eu tenho a experiência."

O planeamento do percurso, a definição de paragens e a avaliação da condição física são aspetos fundamentais. Humberto Carvalho recomenda interromper a condução, em média, de duas em duas horas, uma vez que a fadiga compromete a capacidade de identificar riscos.

No plano mecânico, aconselha verificar os níveis de óleo e líquido de refrigeração, o estado da bateria, da corrente, da iluminação e transportar um pequeno kit de ferramentas para resolver imprevistos simples.

"Eu devo necessariamente partir a minha viagem em secções para garantir o descanso, o repouso e a segurança na condução."

A mensagem final é simples: aproveitar o prazer de conduzir uma moto no verão exige preparação, prudência e respeito pelas regras. 

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