A União Europeia (UE) e a China fecharam a um acordo comercial provisório, que visa também o comércio de automóveis híbridos (plug-in e convencionais) chineses no espaço comunitário, prevendo uma enorme redução das exportações das fabricantes chinesas para o Velho Continente.
O acordo em causa deverá entrar em vigor no dia 1 de dezembro.
“Chegámos a um entendimento comum para moderar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in para a UE“, anunciou Maroš Šefcovic, comissário europeu para o comércio no bloco comunitário. Em declarações aos jornalistas a partir de Pequim, China, o responsável defendeu que o acordo "abre a porta à redução das exportações chinesas para mais de metade [do nível atual]".
O acordo inicial foi anunciado após dois dias de reuniões entre os principais representantes comerciais de ambas as partes. Para o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, este é "um primeiro passo crucial num processo de reequilíbrio" das relações comerciais entre a UE e a China.
Este acordo surge num cenário mais amplo de estabilização das relações comerciais bilaterais, comprometendo-se a gerir as divergências no âmbito das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Quantos híbridos oriundos da China deixam de entrar na UE?
A indústria automóvel europeia assiste desde 2022. No final do primeiro semestre deste ano, os veículos elétricos híbridos plug-in (PHEV) chineses representavam 25% do total do mercado europeu de PHEVs e os veículos elétricos híbridos (HEV) chineses 14%. Há dois anos, em ambos os casos, as marcas chineses só tinham 2% de quota, segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
As fabricantes europeias, que defendem hoje a criação do desígnio automóvel Made in Europe, têm-se queixado do aumento repentino e acelerado de marcas chinesas no Velho Continente, alertando que o excessivo nível de importações vindas da China está a prejudicar os fabricantes europeus.
Segundo Pequim, as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram de 107 mil unidades, em 2024, para 302 mil, em 2025.
Com este acordo provisório, a UE vai limitar importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil por ano.
De acordo com o plano inicial, o limite de 350 mil veículos vai ser aplicado durante o primeiro ano de vigência da medida de salvaguarda comercial, aumentando depois a um ritmo anual de 6%.
As restrições vão manter-se durante quatro anos.
O plano, aliás, prevê a aplicação de limites a todas as importações de automóveis híbridos, e não apenas às provenientes da China, para respeitar o princípio da não discriminação da OMC.
Quer isto dizer que a quota atribuída à China "não vai ser inferior" à de qualquer outro país exportador de veículos híbridos.
O que diz o setor automóvel sobre o acordo?
Para a ACEA, que representa os 17 maiores grupos automotivos da UE, o acordo anunciado é uma boa notícia.
“Uma desestabilização acentuada e repentina do mercado europeu, juntamente com guerras de preços que espelham a atual situação do mercado chinês, seria altamente prejudicial para a economia europeia como um todo”, de acordo com Sigrid de Vries, diretora-geral da ACEA, citada em comunicado.
Para a responsável, o compromisso alcançado "pode ajudar a facilitar a transição para uma nova era de presença chinesa no mercado europeu de forma ordenada, o que é do interesse de todas as partes a longo prazo.”
A ACEA fala que se chegou a "uma direção positiva", mas avisa que há outras questões ainda por abordar, como o nível das importações oriundas da China que afetam o segmento dos transportes rodoviários de passageiros e dos transportes pesados de mercadorias.
O que acordou a China como contrapartida para diminuir exportações de híbridos?
Este acordo surge da necessidade da China reduzir o seu excedente comercial e para mitigar a crescente pressão das exportações industriais chinesas sobre vários setores da economia europeia.
Como contrapartida, para incentivar exportações europeias para o país asiático, a China vai eliminar as tarifas sobre algumas peças automóveis e vai reduzir para metade os direitos aduaneiros aplicados a calçado, gelados e azeite.
Estas reduções, de caráter temporário, incidem sobre exportações europeias avaliadas em 4 mil milhões de euros.
O acordo provisório UE-China vai ser analisado pelos líderes europeus no Conselho Europeu de 15 e 16 outubro.