Autarca de Albufeira diz que "alguma coisa tem de mudar" após atropelamento

| Revista ACP

Rui Cristina, presidente da câmara, rejeita "falha de segurança" mas admite tomar medidas mais fortes para evitar eventuais episódios futuros idênticos. 

Albufeira-Lusa

O presidente da Câmara Municipal de Albufeira encara o atropelamento ocorrido na madrugada de terça-feira, 25 de agosto, na zona da Oura, que provocou 16 feridos, como um "ato isolado". Rejeita ter ocorrido uma "falha de segurança", mas, segundo declarações à comunicação social, admite tomar medidas mais músculadas para evitar episódios idênticos no futuro. 

O homem de 35 anos, que conduzia o veículo, está em prisão preventiva, indiciado pelos crimes de homicídio qualificado na forma tentada, condução perigosa, resistência e coação sobre funcionário, desobediência qualificada, condução de veículo sem habilitação legal e falsificação de documentos. 

Considerando tratar-se de um "incidente isolado", Rui Cristina garante trabalhar "para apresentar uma alternativa, ou soluções, para que nunca mais volte a acontecer algo deste tipo".

O autarca não refere que medidas pretende tomar, mas considera virem a ser aplicadas decisões "muito mais fortes" face às que estão em vigor na zona do acidente, lembrando que o programa eleitoral que apresentou nas eleições autárquicas contemplava uma requalificação, precisamente, da Rua da Oura.

Atualmente, de acordo com Cristina, "está montado o maior dispositivo de segurança de sempre". "A nível policial, temos o maior número de efetivos, as ruas estão vedadas, e mesmo assim aconteceu o que aconteceu [...] Já tínhamos diminuído os horários dos bares, combatemos o ruído e conseguimos mitigá-lo", acrescentou.

"Já estou a analisar toda esta situação e vamos ter que tomar medidas mais incisivas, como vedar acessos de uma forma muito menos permissiva.  Alguma coisa vai ter que mudar na noite de Albufeira", defendeu.

Contactada a GNR pelo ACP, para confirmar se o caso é mesmo um ato isolado ou se o risco de voltar a ocorrer este tipo de incidente é elevado, não houve qualquer resposta.

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Pelas 03h00 de dia 25 ocorreu o atropelamento, em Albufeira, que acabou por provocar 16 feridos.

A viatura encontrava-se estacionada na via pública quando iniciou a marcha. O condutor recebeu uma ordem de paragem da GNR, mas desobedeceu, inverteu a marcha e continuou a circular.

Depois de uma nova ordem para parar, o homem voltou a desobedecer e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas. A viatura acabou por embater noutro veículo e o condutor tentou fugir a pé, mas foi detido por militares do Grupo de Intervenção de Ordem Pública.

O condutor de 35 anos, luso-angolano, foi submetido ao teste de alcoolemia, que revelou uma taxa de álcool no sangue de 1,29 gramas por litro, e realizou também exames toxicológicos. Foi detido por suspeitas dos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa. Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial competente para aplicação das respetivas medidas de coação.

O homem tinha na sua posse uma carta de condução angolana e outra licença para o Reino Unido.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, condenou o atropelamento e manifestou solidariedade para com os jovens atingidos, os militares da GNR e as respetivas famílias.

O Ministério Público abriu um inquérito ao atropelamento.

Na reforma estrutural ao Código da Estrada proposta pelo ACP, o presidente do clube, Carlos Barbosa, considera que "a sinistralidade rodoviária em Portugal permanece inaceitavelmente acima da média europeia e os números mostram que o país não pode aceitar nem ignorar este ponto negro".

Relativamente à taxa de alcoolemia, o ACP defende tolerância zero (0,0g/l) de álcool para condutores profissionais, de emergência e em regime probatório, e o agravamento das coimas a partir de 0,2g/l para os restantes (entre 250€ e 3.000€ consoante a taxa), com cassação do título em caso de crime ou reincidência.

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