42,9% da rede ciclável de Braga apresenta risco elevado para os ciclistas

| Revista ACP

Avaliação recorreu à metodologia internacional CycleRAP para identificar os principais riscos e apoiar futuras intervenções nos corredores urbanos existentes e potenciais de Braga.

ciclovia-Braga

O Automóvel Club de Portugal (ACP) apresentou os resultados de um estudo de avaliação da segurança de corredores urbanos existentes e potenciais de Braga. Recorrendo à metodologia internacional CycleRAP, o estudo pretende apoiar o planeamento de futuras intervenções na infraestrutura ciclável da cidade e contribuir para o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS).

A avaliação incidiu sobre 22,16 quilómetros de percursos selecionados, codificados de 10 em 10 metros e analisados através de um modelo que cruza quatro dimensões desenho urbano, procura, segurança e utilização real. Para além da infraestrutura ciclável existente, foram também analisados corredores urbanos, zonas de coexistência, espaços partilhados e ligações potenciais, de forma a identificar oportunidades de melhoria e apoiar o desenvolvimento futuro da rede ciclável de Braga.

Dos percursos analisados, 42,9% foram classificados com risco elevado ou extremo para os ciclistas, 49,21% apresentam risco médio e 7,89% risco reduzido. Esta classificação deve ser interpretada como um indicador das necessidades de intervenção identificadas nos percursos avaliados e não como uma avaliação global da segurança da rede ciclável atualmente disponibilizada pelo Município.

Os resultados revelam que as colisões entre veículos e bicicletas constituem a principal preocupação, com 37,6% dos percursos analisados a apresentarem níveis de risco elevado ou extremo para este tipo de conflito. As quedas isoladas representam outra das principais ameaças, sobretudo devido à presença de calçada portuguesa, que pode aumentar o risco de quedas em condições de chuva. Já o risco de colisão entre ciclistas revelou-se reduzido na maioria dos percursos avaliados.

Entre os principais fatores de risco identificados destacam-se a circulação em vias partilhadas com automóveis e a reduzida separação lateral entre bicicletas e tráfego motorizado. O estudo conclui que 83,1% dos troços críticos ocorrem em vias partilhadas com automóveis e que 89,2% apresentam a faixa de rodagem a menos de um metro do ciclista. Importa referir que parte destes fatores de risco foi identificada em vias que atualmente não constituem infraestrutura ciclável, tendo sido incluídas na avaliação por integrarem corredores considerados relevantes para futuras ligações da rede.

No centro histórico foram igualmente identificadas seis zonas de conflito entre peões e bicicletas, consequência da inexistência de uma alternativa ciclável contínua que contorne o núcleo urbano. O estudo identifica ainda sete nós críticos associados à interação entre bicicletas e tráfego motorizado, considerados prioritários para futuras intervenções.

Além do diagnóstico, o estudo simulou diferentes cenários de melhoria em vários pontos críticos da cidade. Entre as soluções avaliadas incluem-se a criação de infraestrutura segregada, a redução da velocidade de circulação, a reorganização do estacionamento e soluções de coexistência entre os diferentes modos de transporte. Os resultados demonstram que estas intervenções poderão reduzir significativamente os níveis de risco, permitindo diminuir a percentagem de troços classificados com risco extremo de 22,09% para 8,45% nos cenários analisados.

O Município de Braga colaborou no desenvolvimento do estudo através da disponibilização de informação técnica necessária à análise, da realização de reuniões de trabalho e do acompanhamento da avaliação das propostas. O estudo foi entregue ao Município como contributo técnico para o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, cabendo à autarquia definir a configuração final das soluções e a prioridade da sua implementação.

A metodologia CycleRAP constitui uma das principais referências internacionais na avaliação da segurança da mobilidade ativa. Baseia-se na análise de mais de 50 características da infraestrutura, avaliadas de 10 em 10 metros através de um gémeo digital construído com imagens georreferenciadas, posteriormente processadas por modelos de visão computacional e validadas tecnicamente. O modelo avalia o risco inerente da infraestrutura para quatro tipos de acidentes e identifica medidas prioritárias de melhoria. A classificação atribuída pela metodologia identifica atributos da infraestrutura suscetíveis de melhoria e não constitui, por si só, uma declaração de que determinado percurso seja inseguro ou não deva ser utilizado.

O estudo assume, por isso, uma natureza prospetiva e de apoio ao planeamento, não devendo os resultados ser interpretados como uma classificação da totalidade da rede ciclável atualmente existente, mas como um instrumento técnico para apoiar futuras decisões sobre a evolução da infraestrutura ciclável de Braga.

Este é o segundo estudo promovido pelo ACP da metodologia CycleRAP em contexto urbano, o primeiro foi realizado em Lisboa, em 2025. O projeto contou ainda com o apoio da FIA, através do programa Safe and Sustainable Mobility Grants.

 

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