Portugal quase não reduziu as mortes na estrada em dez anos

| Revista ACP

Portugal registou 589 mortes nas estradas em 2025, apenas menos quatro do que em 2015. No mesmo período, o número de feridos graves aumentou 22%.

Portugal continua a ter dificuldades em reduzir a sinistralidade rodoviária. Os dados do 20.º relatório anual do Road Safety Performance Index (PIN), do European Transport Safety Council (ETSC), mostram que o país registou 589 mortes nas estradas em 2025, contra 593 em 2015. A redução foi de apenas 0,7% em dez anos.

A evolução dos feridos graves é ainda mais preocupante. Entre 2015 e 2025, o número passou de 2148 para 2476, o que representa um aumento de 22%.

Portugal registou, em 2025, 55 mortes por milhão de habitantes, acima da média europeia, que ficou nas 43 mortes por milhão. A diferença é significativa quando comparada com os países com melhores resultados: Noruega e Suécia registaram 19 mortes por milhão, enquanto a Dinamarca ficou nas 23. 

Os números portugueses contrastam com a evolução registada noutros países europeus. Segundo o ETSC, a Polónia reduziu em 43% as mortes na estrada entre 2019 e 2025, enquanto a Dinamarca conseguiu uma redução de 32% no mesmo período.

Na União Europeia, morreram cerca de 19 500 pessoas nas estradas em 2025, menos 2% do que no ano anterior e menos 15% do que em 2019. Para estar no caminho necessário para cumprir a meta de 2030, a redução deveria já ser de pelo menos 31%.

O relatório aponta também para um progresso ainda mais lento na redução dos feridos graves. Considerando as definições nacionais, estes diminuíram apenas 13% na União Europeia entre 2015 e 2025. O ETSC alerta, contudo, que a comparação entre países é dificultada pelas diferenças na forma como os feridos graves são definidos e contabilizados.

Portugal tinha 1466 mortes nas estradas em 2001. Desde então, houve uma redução significativa da mortalidade rodoviária. No entanto, a evolução mais recente mostra que o ritmo de redução abrandou, dificultando o cumprimento dos objetivos definidos para esta década.

A União Europeia pretende reduzir para metade as mortes e os feridos graves nas estradas até 2030. Para o ETSC, essa meta continua a ser possível, mas exige uma atuação mais determinada dos governos, com investimento e medidas de segurança rodoviária que permitam acelerar a redução da sinistralidade.

 

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