Lisboa aprova suspensão das trotinetes partilhadas

| Revista ACP

Operadores têm 60 dias para retirar trotinetes.

Depois de o ACP ter entregado as assinaturas para o referendo municipal sobre o futuro das trotinetes partilhadas em Lisboa, a autarquia decidiu suspender o atual sistema. Proposta foi aprovada com votos contra do Livre e Iniciativa Liberal e a abstenção de PS, Bloco de Esquerda e PCP.

Numa reunião reservada ao executivo, a Câmara Municipal tomou uma decisão idêntica à de outras capitais europeias como Paris, Madrid e Bruxelas.

“Foi um passo necessário que tivemos de assumir", afirmou Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em comunicado.

"As evidências de um problema de estacionamento indevido destes veículos no espaço público e o condicionamento da circulação de pessoas, afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé são alguns dos exemplos”, acrescentou o autarca.

De acordo com a medida, os operadores têm 60 dias para retirar os veículos das ruas. Caso não cumpram a medida, os serviços da câmara vão remover as trotinetes e imputar os custos aos operadores.

O ACP, que está a promover um referendo municipal às trotinetes partilhadas na cidade, fica satisfeito com a decisão. E, não obstante a decisão do executivo camarário, a proposta do clube mantém-se. As mais de 20 mil assinaturas de municípes recolhidas já foram entregues à Assembleia Municipal, que vai decidir a sua viabilidade.

A medida aprovada incorpora outros compromissos relacionados com a mobilidade suave na capital.

Ao retirar as trotinetes, o executivo camarário promete como contrapartida reforçar a mobilidade ciclável com o aumento do número de estações e de bicicletas GIRA. O executivo vai também criar um regulamento municipal para a micromobilidade na capital dentro de um ano.  

Em comunicado, o PS acusou Carlos Moedas de realizar uma "governação errática". 

"Temos, hoje, um sistema degradado, com trotinetes em cima dos passeios, espalhadas pelas ruas, a ocupar o espaço público e a criar obstáculos à acessibilidade pedonal [...]. Mas perante este caos, a única resposta que Carlos Moedas encontrou foi acabar com o sistema. Proibir é sempre mais fácil do que encontrar soluções", lê-se.

Para o Chega, a cidade nem deveria ter um sistema de trotinetes partilhadas.“Muitas cidades já terminaram com este sistema [...].Não temos qualquer tipo de interesse, de uma forma generalizada que exista este tipo de serviço", afirmou Bruno Mascarenhas, vereador do Chega, que votou ao lado da PSD e CDS-PP na suspensão do sistema de trotinetes partilhadas.

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