Em Lisboa e no Porto há menos 1.500 carros a combustão da Bolt e Uber a trabalhar pelo facto daquelas plataformas não terem ajustado as tarifas aos aumentos dos combustíveis, revelou a associação de transportes em automóveis descaracterizados. Em comunicado, a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) adianta que “a paragem está a acelerar”, sendo que, “nos 57% [de veículos] que trabalham a combustão, a paragem é forte”. “Só é mascarada pelos veículos elétricos, que são 43% da frota”, acrescenta a associação, que adianta terem sido 1.500 os veículos que pararam este mês nas duas maiores cidades, por não ser opção “trabalhar para perder dinheiro”.
Aquela associação critica novamente “a inação das plataformas face ao aumento dos combustíveis e exige intervenção urgente”. Atualizando o valor dos aumentos contabilizados nos combustíveis – passou dos 30 cêntimos há uma semana para mais de 40 cêntimos na atual –, a associação aponta ao mesmo alvo, afirmando que, “apesar disso, nem a Uber nem a Bolt ajustaram as tarifas, nem apresentaram qualquer mecanismo de apoio aos operadores e motoristas”. “Mais grave: nenhuma das plataformas respondeu às cartas abertas enviadas pela APTAD, onde eram diretamente questionadas sobre as medidas que pretendem implementar para fazer face a este aumento de custos”, acusa ainda a associação.
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Ainda segundo a APTAD, as consequências “já são visíveis no terreno”, com “operadores e motoristas que começaram a parar a atividade, porque simplesmente deixou de ser viável trabalhar nestas condições”. Neste contexto, a associação entende que a “situação é a prova inequívoca de que o atual enquadramento legal falhou”, pois a “legislação em vigor permite que as plataformas continuem a definir unilateralmente os preços, sem qualquer obrigação de refletir os custos reais da atividade”.
E recorda que “já apresentou ao Governo uma proposta de alteração à Lei do TVDE que corrige este desequilíbrio, introduzindo mecanismos como tarifas mínimas e uma taxa de ocupação mínima por plataforma, garantindo que os preços das viagens refletem os custos reais da atividade e evitando a destruição dos rendimentos dos motoristas”. “Perante a gravidade da situação”, a associação exige uma “resposta imediata das plataformas Uber e Bolt, esclarecendo porque não refletem nos preços das viagens o aumento brutal dos combustíveis”.