Passeio dos Alemães reviveu a história automóvel germânica

| Revista ACP

Com organização do ACP Clássicos, a quinta edição do evento levou à estrada verdadeiras preciosidades alemãs, de Norte a Sul do País.

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Os muitos que, no sábado dia 16 de março, passaram pelo parque de estacionamento da Tribuna de Honra do Estádio Nacional, no Jamor, foram imediatamente ‘transportados’ para outra era da história do automóvel. Uma era de requinte e de arrojo tecnológico (para a época), de beleza intemporal e de uma fascinante diversidade de modelos e marcas de origem alemã.

A quinta edição do Passeio dos Alemães reuniu, numa localização dupla, a Sul e Norte do País, centena e meia dos mais belos automóveis clássicos germânicos existentes no País. Uma fórmula de sucesso, que reafirma a qualidade organizativa do ACP Clássicos, também visível em passeios temáticos semelhantes para clássicos ingleses, franceses ou italianos.

João Vieira Borges que, em 2018, venceu o Rali de Portugal Histórico, ao volante de um Porsche, esteve ao volante de um dos mais emblemáticos clássicos do Passeio dos Alemães: um Mercedes-Benz 300 Adenauer de 1952, assim designado porque Konrad Adenauer, o primeiro Chanceler da Alemanha Ocidental, encomendou seis dos primeiros exemplares deste modelo. “Tenho participado nestes passeios, que são muito agradáveis, não só por vermos carros lindíssimos, de outros tempos, como também pela parte social. Já vim com carros mais modernos, mas este ano trouxe este Adenauer modelo 300 A, que é o único que vem equipado com o motor do Gullwing. São carros que marcaram a nossa juventude, a nossa adolescência”, referiu João Vieira Borges.

Ali perto, o BMW 2000 Automatic de João Maria, conhecido por ‘Maltesinho’, era o pretexto para mais uma participação nos passeios do ACP Clássicos, que têm uma cultura muito própria. “Tenho vindo a todos, desde os alemães, aos italianos, até aos clássicos todo-o-terreno! Trouxe este BMW 2000 Automatic de 1970, comprado na altura para a minha mãe, porque ela não se entendia com as mudanças. Havia uma subida a seguir ao Marquês de Pombal, com uns semáforos, e a minha mãe deixava sempre o carro ir abaixo. É a história deste 2000 Automatic… Mas sou sócio do ACP desde 1978, o ano em que casei. A minha mulher queria conduzir, mas como algumas curvas eram a direito… achei que o ACP seria uma boa ajuda em situações menos ‘normais’”, recordou, com boa disposição.

Entre preciosidades de incalculável valor material e histórico, um dos carros mais valiosos deste Passeio dos Alemães foi um Porsche 911 Carrera 2.7 RS, original, de 1973. Foi conduzido por Marta Champalimaud, que há muito se tornou adepta destes eventos. “Adoro clássicos, principalmente alemães, e adoro os passeios do ACP. Este Carrera 2.7 RS foi um dos primeiros 500 a serem construídos. Sempre quis ter um carro clássico… mas quem compra um clássico, fica viciado. E para mim os clássicos alemães são especiais, são ‘os’ clássicos”, afirmou Marta Champalimaud.

Mais ‘mundano’, mas igualmente carismático, o Mercedes-Benz Ponton de Fernando Delgado tem 63 anos… a mesma idade do seu proprietário! “Tenho carros modernos, mas sempre quis comprar um carro com a minha idade”, explicou. Descobri um destes na Holanda, trouxe-o para cá e estive mais de um ano a recuperá-lo. O carro vai fazer 64 anos em agosto; eu faço em setembro. Sempre gostei de Mercedes e este carro era especial, é igual aos táxis antigos. Este é um 1900 a gasolina e estou muito satisfeito com ele. Vou voltar a estes passeios de certeza, porque gosto muito disto.”

Como é habitual, o percurso do Passeio dos Alemães levou os participantes a pontos de interesse turístico e cultural, por algumas das mais belas estradas do país. A sul, e depois de saírem do Estádio Nacional, mais de uma centena de máquinas intemporais rumaram à zona Oeste, passando pelas emblemáticas estradas de Sintra, incluindo a Lagoa Azul. A primeira paragem foi no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, para um interessante momento de História. De Sintra, o Passeio seguiu em direção a Mafra, com a subida à Serra do Socorro a culminar numa paisagem com vistas deslumbrantes. O almoço, em Enxara do Bispo, foi o final ideal para a edição a sul do Passeio.

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Na região Norte, os concorrentes reuniram-se na sede do ACP, no Porto, partindo depois rumo a Braga, onde à sua espera estava uma belíssima coleção de Mercedes-Benz históricos, propriedade de um sócio do ACP. Seguiu-se a visita ao histórico Mosteiro de São Martinho de Tibães, um dos edifícios mais antigos da cidade dos arcebispos. Da capital do Minho, os participantes seguiram para Matosinhos para o almoço final.

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