Resolução de avarias elétricas

Conselhos e sugestões

Chegado o momento em que podemos gradualmente devolver os clássicos ao seu habitat natural, as estradas, apresentamos alguns conselhos e truques para que não fique parado, com o passeio interrompido devido a avarias elétricas, que por vezes são simples de resolver ou de remediar para prosseguir até ao seu destino, ou até outro local onde as condições de diagnóstico e reparação sejam as ideais.

Gostaríamos de começar por aconselhar a criação de um "Kit de sobrevivência na estrada" que deve manter no seu clássico para os casos em que não é possível a reparação ou remediação sem recurso à substituição da peça em questão; são pequenas coisas que não ocupam grande espaço e que podem fazer a diferença entre chegar ao seu destino ou ter que chamar o reboque:

Bobine de alta tensão, jogo de velas de ignição, condensador, platinado, conjunto básico de chaves manuais, kit de lâmpadas e de fusíveis, fio elétrico, arame, braçadeiras, fita isoladora e/ou americana, alguns parafusos e porcas de medidas diferentes, lixa de grão fino, etc.

Bateria - Energia elétrica

Como já abordado no módulo anterior, a bateria deve estar com boa carga elétrica e com os bornes limpos e os terminais bem apertados, para assim poderem transmitir a energia elétrica em condições de mínima resistência.

É comum verificarem-se sintomas de falta de bateria, constantes ou intermitentes, que não passam de fracas condições de condutibilidade entre os bornes da bateria e os terminais da instalação elétrica, causados por aperto deficiente ou oxidação.

Caso experiencie sintomas de bateria fraca (motor de arranque com potencia insuficiente, fraca intensidade dos faróis, fraca potência sonora da buzina, etc.), verifique sempre o aperto e o estado dos terminais e bornes da bateria.

Ainda neste campo pode suceder a "falta de massa", ou seja, a polaridade da bateria que está ligada à estrutura do automóvel e que tem que chegar a todos os componentes, encontra-se interrompida ou é insuficiente.

Novamente, esta avaria pode ser constante ou intermitente e pode manifestar-se através do não funcionamento ou do desempenho deficiente de alguns componentes, tais como: ignição do motor incerta; motor de arranque com potência insuficiente; luzes com fraca intensidade ou intermitentes quando é ligado outro acessório; aquecimento de cabos ou componentes elétricos, etc.

Ilustramos de seguida o cabo de malha de aço frequentemente presente nos veículos clássicos e que tem a importante função de ligar à massa toda a estrutura propulsora do automóvel - Motor e caixa de velocidades.

Motor de arranque

Quando rodamos a chave da ignição e o motor de arranque não roda, é imediata a sensação desanimante de que o passeio não vai acontecer ou não vai prosseguir.

Caso isto aconteça e já com a certeza de que a bateria e respetivas ligações estão em bom estado, existem ainda duas causas possíveis para o sucedido.

Ainda que por vezes de difícil acesso, devem ser verificadas as ligações elétricas ao motor de arranque, estado e aperto.

No caso dos veículos com mais idade e/ou mais quilómetros é comum que o pinhão do motor de arranque e/ou a coroa do volante do motor tenham os dentes desgastados ou deformados, podendo originar um bloqueio no motor de arranque. Para o retirar desta falsa posição, deve proceder-se da seguinte forma:

  • Desligar totalmente a ignição, para que seja de todo impossível que o motor entre em funcionamento;
  • Engrenar uma velocidade alta, 4ª ou 5ª;
  • Com travão de mão destravado, tentar imprimir à viatura um movimento de vaivém com uma amplitude de cerca de 20 a 30 centímetros.

Após esta operação é provável que o pinhão se tenha soltado, sendo possível novamente acionar o motor de arranque.

Na imagem pode visualizar-se a zona posterior de um motor de arranque, onde se encontra o cabo elétrico principal, pode verificar-se o aperto, bem como a extremidade do eixo central, onde pode ser confirmada uma situação de prisão, sem ter que recorrer ao procedimento anteriormente descrito, nem todos os motores de arranque possuem este pormenor de construção.

Bomba de combustível elétrica 

Após um período de imobilização é comum as bombas de gasolina elétricas não iniciarem o seu normal funcionamento assim que solicitadas. Normalmente o seu funcionamento é iniciado com o posicionamento da chave da ignição na posição de pré-arranque. A sua função é pressurizar o sistema de alimentação de combustível até à pressão de trabalho, até este valor ser atingido e previamente ao arranque do motor, o seu funcionamento pode ser audível ao condutor. Caso esta situação não se verifique ou se o motor não arrancar é possível que a bomba esteja com uma ligeira prisão devido à imobilização.

Neste caso pode usar o cabo de uma chave de fendas, ou outra, para imprimir umas ligeiras batidas no corpo da bomba para ajudar a soltar e assim iniciar o seu funcionamento.

Fusíveis

A qualquer um pode acontecer, de dia ou de noite, seguir no seu clássico e, de repente, ao utilizar algum acessório elétrico, este não funcionar.

Pode ser o limpa para brisas num dia de chuva, um farol durante a noite, ou um pisca aquando de um agradável passeio.

Apesar de os fusíveis serem de extrema importância, pois têm a função de proteger os componentes elétricos de eventuais subidas de tensão, são muito fáceis de substituir.

Terá que ser localizada a caixa dos fusíveis, elemento que constitui um núcleo de onde parte a grande maioria dos fios de alimentação dos circuitos dos acessórios elétricos do automóvel e onde se centralizam todos os fusíveis. As localizações são as mais diversas, no entanto e de uma forma genérica:

Nos clássicos mais antigos, aloja entre 4 a 8 fusíveis e pode ser encontrada geralmente compartimento do motor na zona junto ao habitáculo; enquanto nos mais modernos é usual estar localizada na zona inferior do tablier e alojar até 3 vezes mais fusíveis.

Existem três formas de localizar o fusível fundido:

  1. Visualmente, através do seu corpo de vidro nos mais antigos, ou posteriormente através de janela para o efeito; devemos procurar o filamento condutor partido ou interrompido;
  2. Segundo o diagrama dos fusíveis, por vezes presente na própria caixa, no verso da sua tampa ou no manual de instruções;
  3. Recorrendo à utilização de uma lâmpada de teste, verificando a passagem de corrente entre as extremidades do filamento fusível.

Alternador ou Dínamo

O alternador tem a função de carregar a bateria do automóvel e muitas vezes nem nos lembramos da sua existência até que o mesmo dê sinal da sua presença, através da falha e consequente iluminação da respetiva luz avisadora.

Em caso de avaria deste componente, a bateria deixa de ser carregada, porém o consumo continua a existir para alimentar a ignição, as luzes e os instrumentos. A viatura continuará em funcionamento à custa da carga remanescente na bateria, quando esta for consumida até ao final, o motor irá parar.

O alternador é um órgão eletromecânico acionado pelo movimento do motor através de uma correia do borracha.

Além da verificação das ligações elétricas na parte posterior do componente, as situações mais prováveis serem resolvidas na estrada tem a ver exatamente com a correia que aciona o alternador. Deverá ser observada a sua presença, para o caso de se ter partido ou saltado; o seu estado e movimento, para o caso de se encontrar a patinar na respetiva polia (peça onde passa a correia e transmite o movimento ao alternador).

É de extrema importância ter presente que em grande parte do veículos clássicos, a correia do alternador é também responsável por imprimir movimento à bomba de água. No caso da correia não estar presente por se ter partido ou saltado, não deverá continuar o seu percurso, neste caso só com a carga da bateria, pois a situação irá escalar para um sobreaquecimento do motor, circunstância amplamente mais grave do que a aqui abordada.

Nos casos em que não existe no local uma correia de substituição, pode proceder-se ao improviso recorrendo a uma corda, por exemplo.

Voltamos a lembrar que nestes casos a bomba de água assume um papel primordial em relação ao alternador.

Distribuidor

Um componente essencial ao funcionamento do motor, no entanto algo complexo, logo por exercer três funções: indução, distribuição e ignição.

Começando pela indução os três componentes mais suscetíveis de falha são a bobine, o condensador e o platinado.

No que respeita aos dois primeiros, são peças sem reparação e por precaução deveram ser incluídas no "kit de sobrevivência na estrada", já referido anteriormente.

Sobre o platinado, que não passa de um dispositivo interruptor, é frequente que o mesmo fique colado e/ou oxidado devido a longos períodos de imobilização. Caso surjam sintomas de funcionamento irregular do motor ou na impossibilidade do arranque do mesmo, é importante verificar a sua operação de criação de faísca através da sua abertura e fecho; bem como a sua limpeza.

Caso se verifique a sua colagem ou oxidação, pode usar-se um papel de lixa de grão fino entre os pontos de contacto do platinado para efetuar a sua limpeza.

Em relação à função de distribuição, existem dois componentes que podem ser verificados e intervencionados na estrada, são eles a tampa ou cabeça e o dedo do distribuidor. Pode suceder a acumulação de humidade e oxidação dos contactos elétricos nestas peças, o que leva o motor a trabalhar de forma incerta ou mesmo não arrancar. Nestes casos deverá proceder à remoção destas peças (usualmente não são necessárias ferramentas), para proceder à sua limpeza interior, bem como dos seus contactos de metal, recorrendo novamente ao uso de um papel de lixa de grão fino.


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