O financiamento dos bancos à economia nunca foi tão modesto. Até Agosto, a banca concedeu 41,9 mil milhões de euros em crédito, o valor mais baixo desde que o Banco de Portugal reúne estes dados, ou seja, 2003. Face ao período homólogo de 2009, a quebra na concessão de empréstimos a empresas e particulares cifra-se em 888 milhões de euros, ou 2,1%.
De acordo com os especialistas, esta tendência é transversal às economias europeias: "Este fenómeno de diminuição da concessão de crédito já existe na Europa. Desde Fevereiro, a variação média do crédito concedido dos últimos doze meses na área do euro é negativa (crédito em contracção), tendo-se acentuado a queda ao longo do ano (-1.2% em Julho)", explica Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI.
Uma realidade que, em Portugal, não é contudo transversal a todos os sectores da economia. As empresas são as mais prejudicadas: depois de terem visto a concessão de crédito diminuir 15,5 mil milhões de euros em 2009 face ao ano anterior, as sociedades não financeiras registam agora uma quebra de dois mil milhões de euros nos empréstimos concedidos até Agosto, face ao período homólogo. Em contrapartida, os particulares viram os empréstimos para a compra de casa e para efeitos de consumo aumentarem nos primeiros oito meses do ano, em relação ao mesmo período de 2009.
Os números são, em parte, justificados pelo aumento do crédito malparado, cujos aumentos mais
expressivos se encontram precisamente nas empresas e também no crédito ao consumo. Mas, segundo Cristina Casalinho, esta não é a razão mais relevante: "A diminuição da concessão de crédito resulta da menor possibilidade de concessão por parte dos bancos, porque encontram dificuldades em financiar-se eles próprios, e portanto, não podem conceder crédito nas condições normais. Segundo, a procura de crédito por parte dos clientes também se reduz".