Santarém

Capital do gótico

Almeida Garrett classificava assim a cidade: "Santarém é um livro de pedra em que a mais interessante das nossas crónicas está escrita".

Santarém merece uma visita a pé, com especial atenção para os templos construídos entre os séc. XIII e XV, que lhe conferem o epíteto de "Capital do Gótico" português.

Noutra vertente, merece menção o Jardim das Portas do Sol, com o seu miradouro sobre o Tejo.

Santarém é a "Capital do Gótico" pelos muitos monumentos no referido estilo, mandados construir pelos reis que a preferiam. Foi D. Afonso IV, que lá mandou instalar a residência real e a fez capital do reino, no séc. XIV. A permanência da corte e do seu séquito fez, naturalmente, que muitos conventos, igrejas, fontes e fortalezas fossem construídas, tendo florescido o estilo gótico que cataclismos, guerras e invasões, ajudaram a delapidar – apesar disso, subsistem um número considerável de edifícios que permitem sustentar a qualificação de Capital do Gótico.

Em finais do séc. XV, um trágico acidente vitimou o príncipe D. Afonso, junto ao rio próximo de Santarém, o que levou a família real a abandonar a região.

  • Onde?

    Santarém fica nas margens do rio Tejo, que lhe favoreceu o desenvolvimento. Após ter sido conquistada aos ouros, por D. Afonso Henriques, foi uma das mais importantes cidades medievais de Portugal, onde tiveram lugar várias Cortes. Era a cidade preferida pelos reis, que aí permaneciam, sempre com as respetivas cortes. Essa circunstância e a de ter desempenhado também, durante algum tempo, o papel de capital do reino, fez com que tivessem sido construídos muitos mosteiros e igrejas. A catedral hoje existente, devotada a Nossa Srª da Conceição, foi construída sobre os restos do palácio real.

     Santarém - A Sé

  • O quê?

    Santarém foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, depois de lá se terem instalado na região povos como os Lusitanos, Fenícios, Gregos, Romanos, Visigodos, Mouros, desde a época pré-histórica.

    Escalabitanos, nome que designa os habitantes de Santarém, deriva do nome que os romanos lhe deram – Scallabis – que por sua vez assentava numa lenda que envolvia Ulisses, que aportara ao rio Tejo, se apaixonara pela filha de um rei Lusitano, de cujo relacionamento nasceu Abidis. O rei, quando soube da criança, perseguiu Ulisses, que se retirou para Ítaca e deitou o neto ao rio. O menino foi dar à região de Santarém, foi amamentado e protegido por uma corça, fez-se homem valente. Aos 20 anos, foi descoberto pela mãe e, de seguida o avô, reconheceu o seu valor e a sua coragem e nomeou-o seu herdeiro. Abidis fundou a cidade de Esca-Abidis (o manjar de Abidis) que os romanos transformaram depois em “Scallabis”. Abaixo, a foto do Templo Romano de Scallabis, vestígio da passagem daquele povo pela cidade. Fica dentro da muralha da Alcáçova, entre a Porta de Santiago e a Igreja de Stª Maria da Alcáçova. 

    Santarém - Templo Romano de Scallabis

  • Património a descobrir

    Santarém
    - Capela de Nª Srª do Monte MN – do Séc. XII, foi construída no outeiro do Monte, próximo da calçada do mesmo nome. Gótica, passou por várias convulsões ao longo dos séculos e está hoje classificada como Monumento Nacional.

    Santarém - Capela de Nª Srª do Monte

    - Casa Museu Passos Canavarro - citada também por Almeida Garrett, mostra pintura, mobiliário, procela, etc.
    - Casa Museu Anselmo Braamcamp Freire – fica num palacete ribatejano do Séc. XIX. Podem ser vistas pinturas, esculturas, mobiliário, peças decorativas em louça, faiança, vidro, marfim, mármore e metal, bem como gravuras.
    - Fonte das Figueiras ou Fonte Mourisca – Chafariz gótico do Séc. XIII / XIV

    Santarém - Fonte das Figueiras

    - Igreja da Misericórdia, MN – data do Séc. XVI, foi construída pelo arquiteto real Miguel Arruda. Foi muito danificada pelo terramoto de 1755, tendo a fachada sido substituída por outra, barroca. No interior, existe um órgão de tubos.

    Santarém - Igr. da Misericórdia

    - Igreja de Nº Srª da Conceição (Sé), MN – tem estrutura e fachada maneirista, construída entre 1672 e 1711. Tem também um órgão de tubos.

    Santarém - orgão de tubos da Sé

    - Igreja de Nª Srª da Graça (de Stº Agostinho), MN – gótica, apresenta fachada com rosácea e portal flamejante

    Santarém - Igr. de Nª Srª da Graça

    - Igreja de Nª Srª da Piedade, IIP (Imóvel de Interesse Público) – construída em 1664, tem um órgão de armário
    - Igreja de Nª Srª da Assunção de Marvila, MN – foi reconstruída no início do Séc. XVI, em cima de uma estrutura gótica, pré existente. Paredes revestidas de azulejos. O pórtico desta igreja é manuelino. Tem também um órgão de tubos.

    Santarém - Igr. de Nª Srª da Assunção de Marvila

    - Igreja de Nª Srª de Jesus do Sítio ou Igreja do Hospital de Jesus Cristo de Santarém, MN – faz parte do Convento dos Franciscanos da Ordem Terceira. O Convento foi transformado em hospital, no Séc. XIX e hoje é um estabelecimento de ensino e sede da Stª Casa da Misericórdia. Tem um órgão de tubos.

    Santarém - Igr. do Hospital de Jesus

    - Igreja de S. Nicolau, MN – maneirista, data de 1613 e resulta da reedificação da antiga igreja gótica destruída por um incêndio. Tem um órgão de tubos.

    Santarém - Igr. de S. Nicolau

    - Igreja de Stª Cruz, IIP – construída no Séc. XIII, gótica, fica na freguesia de Stª Iria da Ribeira
    - Igreja de Stª Maria de Alcáçova, IIP – foi fundada em 1154, sete anos depois da conquista de Santarém aos Mouros. Em meados do Séc. XIII, passa a ter funções de Capela Real, que desempenhou até 1834.
    - Igreja de Stº Estêvão (do Stº Milagre) – fica num dos locais mais antigos do burgo escalabitano, antiguidade atestada pelas características da malha urbana e pelas construções que a rodeiam. Está relacionada com a Lenda do Milagre de Santarém, ocorrido em meados do Séc. XIII e que relata o roubo e profanação de uma hóstia consagrada por uma residente nesta paróquia. A igreja era primitivamente gótica, tendo sido reconstruída no Séc. XVI
    - Igreja de Stª Clara, MN – data de 1259, tendo sido, simultaneamente construído o Convento de Stª Clara.

    Santarém - Igr. de Stª Clara

    - Igreja do Cemitério dos Capuchos – foi mandada construir pelo Município, em 1865, sem grande valor arquitetónico.
    - Mosteiro de Stª Maria de Almoster, MN – foi fundado por D. Berengária Aires, dama da corte da Rainha D. Isabel. A Igreja segue a tipologia do gótico mendicante.

    Santarém - Mosteiro de Stª Maria de Almoster

    Mosteiro de S. Francisco, MN – foi fundado no Séc. XIII, em estilo gótico mendicante.

    Santarém - Convento de S. Francisco                       Santarém - Convento de S. Francisco

    - Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia da Igreja de S. João de Alporão, MN – a Igreja foi construída no Séc. XII, sofreu várias vicissitudes, tendo sido até teatro até que, no séc.XIX, foi reconhecido o seu valor e classificada como Monumento Nacional.

    Santarém - Igreja de S. João de Alportão

    - Muralhas das Portas do Sol – pouco resta das fortificações de Santarém. As Portas do Sol, hoje varanda panorâmica da cidade, assentam sobre essas mesmas muralhas de que restam três torreões, sendo visível um troço da Porta de Santiago. O espaço foi ajardinado em 1896 e é hoje a sala de visitas de Santarém.

    Santarém - Muralhas das Portas do Sol

    - Torre das Cabaças / Torre do Relógio – Núcleo Museológico do Tempo – a velha Torre do Relógio, conhecido por “Cabaceiro” ou Torre das Cabaças é um dos emblemas de Santarém. Data do Séc. XV e foi construída em cima de uma torre do recinto muralhado da Vila medieval, ligada à Porta de Alporão.

    Santarém - Torre das Cabaças

    - Palácio de Eugénio da Silva ou dos Meneses – do Séc. XVII, é onde funciona , hoje, a Câmara Municipal.
    - Templo Romano de “Scallabis” é uma estrutura quadrangular com cerca de 15 m2, que, de acordo com os especialistas, seria um pódio de um templo romano da antiga Scallabis, que dataria do século I a.C. Num dos lados veem-se vestígios da parede que constituía o recinto do templo. Ele fica num planalto, num recanto formado por dois panos de muralha que ali se encontram, entre a Porta de Santiago e a Igreja de Stª Maria da Alcáçova

    Santarém - Templo Romano de Scallabis

    - Mercado Municipal de Santarém – foi inaugurado em 1930, para substituir o que existia, ao ar livre. Tem 55 painéis de azulejos, nos vãos das portas exteriores das lojas, que não estavam previstos no projeto de Cassiano Branco.

    Santarém - Mercado Municipal

    - Estação de Santarém - Caminhos de Ferro - a estação de Santarém, edifício bastante grande, com telheiro a proteger a gare e os azulejos, águas furtadas e peça decorativa em cada canto de beirado. A temática destes painéis é o conjunto das atividades agrícolas, a criação de gado, os campinos e, também os monumentos da cidade, considerada capital do gótico. Dos azulejos dedicados aos monumentos da cidade, merece particular menção os dedicados ao interior do claustro do Convento de S. Francisco. Os azulejos da estação datam de 1927 e são da autoria de J. Oliveira.

    Santarém - A Estação CF e os Azulejos                   Santarém - Estação de Caminhos de Ferro

    Ribeira de Santarém
    - Igreja de Stª Iria
    – data do séc. XII, tendo sido reconstruída no séc. XVII. A fachada, barroca, data do Séc. XVIII. No interior, azulejos azuis e brancos, do Séc. XVIII, numa área anexa à sacristia. O altar, em talha dourada, alberga o famoso Cristo de Monte Iraz, escultura em madeira do séc. XIII, mostrando Cristo em posição peculiar.


    Santarém - Igr. de Stª Iria - Ribeira de Santarém

    LENDA
    : segundo o povo, a lenda vem de há muito, muito tempo, quando a referida imagem de Cristo se encontrava na Capelinha do Monte dos Olivais, entre Santarém e a Ribeira – junto dessa capelinha um fidalgo namorou uma camponesa e prometeu-lhe casamento, jurando pela oliveira próxima e pelo Cristo no altar da Capelinha e ausentando-se depois. Quando regressou, a mãe da rapariga, que a via definhar, pediu ao fidalgo que cumprisse a sua jura. Perante a sua recusa em admitir a jura e a cumprir a oliveira caiu no chão, com grande estrondo e o Cristo, a quem a mãe pediu ajuda e confirmação da jura feita, contorceu-se na cruz, apontando o dedo ao fidalgo. Este pediu perdão e cumpriu a promessa.

    Alcanede
    - Castelo de Alcanede – ocupa um pequeno monte, que terá tido ocupação pré-histórica. Os vestígios indicam que foi também ocupado e fortificado pelos romanos e, mais tarde, pelos mouros que ampliaram as fortificações. Mais tarde foi conquistado, definitivamente, por D. Afonso Henriques. No início do Sec. XX estava em completa ruína mas, em 1943, foi decretada a sua classificação como Imóvel de Interesse Público e, posteriormente, recuperado.

    Santarém - Castelo de Alcanede

    Pernes
    - Moinho Manuelino de Pernes - na Ribeira do mesmo nome, junto ao Rio Alviela. Ela faz parte de um conjunto de moinhos hidráulicos e azenhas do séc. XII, parte dos quais foram doados por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários, na época da conquista e povoamento desta zona do País. Foi reconstruído no final do séc. XV, tendo sido utilizado como habitação de recreio do Conde de Abrantes, para o que foi adaptado o piso superior, altura de que datam as janelas com molduras manuelino-mudéjar. No séc. XVII o moinho deixou de funcionar e o edifício abrigou uma série de fábricas e oficinas. Hoje pertence à Stª Casa da Misericórdia de Pernes.

    Santarém - Moinho Manuelino de Pernes

    - Igreja Matriz, dedicada a Nª Srª da Purificação, data do Séc. XVI, tendo sido alvo de várias e sensíveis modificações nos séc. XVII e XVIII
    - Ponte Romana de Pernes

    Santarém - Ponte Romana em Pernes
  • Gastronomia

    Todos os anos se realiza o Festival de Gastronomia de Santarém, que reúne o melhor do País e arredores…
    Mas o Ribatejo é rico em iguarias, que nos fazem crescer água na boca:
    - açorda com bacalhau, bacalhau assado, enguias à pescador, fataça na telha, caldeirada à fragateiro, sopa de peixe, cabrito frito, cabrito assado, borrego guisado, chispe com feijão branco, sopa da panela e, para sobremesa, sopa dourada, e filhós ribatejanas e, um dos doces mais característicos, o pampilho.
           
    Santarém - cabrito assado            Santarém - saboroso pampilho

    E, para acompanhar, os vinhos da região, famosos já no tempo de D. Afonso Henriques que a eles se referiu no foral que concedeu a Santarém, em 1170. Alguns dos reis que se seguiram, na nossa História, protegeram a produção de vinho, na zona, nos Séc. XIV e XV – D. Pedro I, D. Fernando, D. Afonso V e D. João II – proibindo a entrada na região de outras castas, para além de outras medidas. Para além do Concelho de Santarém, produzem vinhos os de Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, e Tomar.


    Santarém - vinho da beira Tejo

  • Feiras, Festas e Romarias

    - Lusoflora –  junho – feira dedicada às floricultura e horticultura
    - Feira Nacional de Agricultura – junho –uma das mais importantes feiras agrícolas da Europa
    - Festival Internacional de Folclore, a decorrer durante o mês de setembro
    - Festival Nacional de Gastronomia – entre  outubro e novembro

  • Acessos e Distâncias
    LISBOA   82 km PORTO  244 km
    Aveiro 189 km Guarda  247 km
    Beja 204 km Leiria    76 km
    Braga 294 km Portalegre  162 km
    Bragança 414 km Santarém     0 km
    Castelo Branco 153 km Setúbal  115 km
    Coimbra 137 km Viana do Castelo  316 km
    Évora 160 km Vila Real  327 km
    Faro 303 km  Viseu  221 km
  • Itinerários Possíveis

    Itinerário 1 
    Visita de Santarém, e de todo o seu património, maioritariamente gótico, bem como o Jardim das Portas do Sol e a Ribeira de Santarém, ali tão perto. Difícil avaliar o nº de km – muitos pedaços terão de ser feitos a pé, o que é saudável, se o tempo o permitir

    Total de km – difícil de calcular
    Tempo de percurso – difícil de calcular, na visita ao património de uma cidade
    Estradas – por vias citadinas

    Santarém - Itinerário 1

    Itinerário 2
    Uma visita a Alpiarça e à Casa dos Patudos
    , onde está instalado o Museu de Alpiarça, vem sempre a calhar. Se a apetência for também pelo contacto com a natureza, poderá dar uma espreitadela à Vala Real de Alpiarça.
    No regresso a Santarém, por Almeirim, talvez calhe bem uma sopa da Pedra, com o saber e o sabor da região…

    Total de km – 25,1 km
    Tempo de percurso – 30 minutos, só considerado o tempo de condução
    Estradas – por estrada nacional

    Santarém - Itinerário 2

    I
    tinenerário 3
    Santarém (A) – Alcanede (B) – Alcanena (C) - Pernes (D) – Ribeira de Santarém (E) – Santarém (F)
    Visita a Alcanede e ao seu castelo, pelo menos ao que resta dele. Em seguida Pernes, o seu moinho hidráulico e ponte romana e voltar pela Ribeira de Santarém

    Total de km – 80 km
    Tempo de percurso – 1hora e 22 minutos, só considerado o tempo de condução

    Santarém - Itinerário 3

  • Parceiros ACP

    PARCEIROS ACP
    Abaixo estão os links para todos os parceiros existentes no Distrito de Santarém, a que o Concelho de Santarém pertence, e que oferecem descontos aos sócios, mediante a apresentação do cartão de sócio.

    Hotéis
     - Solares
    Turismo Rural 
    Restaurantes 

     

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