ACP propõe estratégia nacional

Em carta aberta a todos os autarcas, o Automóvel Club de Portugal elenca os pontos-chave para uma política global de mobilidade nos próximos anos.

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O Poder Local e os autarcas são os responsáveis pela garantia da qualidade das intervenções no espaço público e a chave para que as nossas cidades sejam lugares onde os cidadãos vivam com qualidade de vida, onde se sintam seguros e se movimentem no respeito mútuo, sem agredir o ambiente e sem barreiras desnecessárias.

O Automóvel Club de Portugal é uma entidade de utilidade pública sem fins lucrativos que defende e promove as boas práticas da mobilidade.

Avizinha-se um novo mandato autárquico em Portugal. É o momento de o Automóvel Club de Portugal deixar um contributo sobre a mobilidade e os desafios que os municípios terão de enfrentar e de vencer.

Uma estratégia de mobilidade para o seu concelho

O fenómeno de urbanização acelerada das cidades ao longo das últimas décadas, observável a nível global, mas também na realidade nacional, tem vindo a criar novos desafios ao planeamento e gestão urbana no sentido de garantir que as cidades fazem uma utilização eficiente e sustentável dos recursos,

1. Que seja acessível e centrado na satisfação das necessidades dos seus utilizadores

Constituição de um sistema de transportes integrado e acessível aos vários utilizadores, com capacidade para disponibilizar diferentes opções de transporte, com informação da previsão de tempos, custos e impacto ambiental de percurso. Que satisfaça as deslocações pendulares e de lazer, integrando os diferentes modos de transporte.

2. Orientado para o desenvolvimento sustentável com integração dos meios de transporte

A integração de todos os meios de transporte – intermodalidade – permite otimizar toda a rede, combinando oferta pública e privada, incluindo meios próprios, como o automóvel, evitando zonas sem resposta ou sobreposição de infraestruturas. Privilegiar o desenvolvimento urbano suportado no transporte público, de modo a reduzir as distâncias e agilizar as deslocações dos cidadãos nos seus trajetos diários.

3. Que criem espaços urbanos saudáveis

Aposta na criação de espaços públicos saudáveis, que permitam as deslocações a pé e de bicicleta, promovam a atividade física e dinamizem os espaços e as atividades envolventes. Promover o desenvolvimento de uma rede de ciclovias que permita a integração com outros modos de transporte.

Incluir a articulação com políticas de estacionamento que reduzam o número de carros em meio urbano, disponibilizando esse espaço para o peão e encontrando soluções alternativas para o estacionamento dos residentes. Gerir os espaços públicos de forma dinâmica, com a monitorização da sua pegada ecológica, qualidade ambiental e fluxos populacionais, que permita a avaliação dos impactos de medidas ou ações sobre o território.

4. Que melhore a segurança rodoviária

Identificar os pontos críticos de acidentes rodoviários e desenvolver soluções de desenho urbano e  acalmia de tráfego que melhorem a segurança rodoviária e que ambicionem atingir uma meta de zero acidentes rodoviários em meio urbano, em linha com as metas internacionais. Seguir as melhores práticas estabelecidas, assegurando uma uniformidade à escala nacional no desenho e construção das infraestruturas de mobilidade, bem como na sinalização aplicada, garantindo segurança aos utilizadores.

5. Que permita a partilha de dados em tempo real

A partilha de dados da mobilidade na cidade vai permitir tirar partido da inteligência coletiva para criar novos produtos e serviços capazes de oferecer uma melhor experiência ao utilizador, melhorar o funcionamento do sistema no seu todo e criar práticas que se adaptem de forma dinâmica ao real estado do sistema e que antecipam necessidades.


Estes são os cinco desafios que partilhamos com os atuais e futuros autarcas, colocando-nos à disposição de todos para trabalhar em conjunto na construção de soluções de mobilidade.

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