Estudo ACP - Proteção Infantil nos automóveis: A Segurança Responsável - Campanha 2013

Três em cada dez automobilistas reconhecem já ter transportado, alguma vez, crianças sem um sistema de retenção e consideram que a segurança no transporte infantil está a ser descuidada devido à crise, revela o inquérito hoje divulgado.

O primeiro inquérito nacional sobre segurança infantil dentro do automóvel, realizado pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP), em colaboração com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e a Cybex, envolveu 1.856 automobilistas que transportaram, no último ano, crianças até aos 12 anos, com uma altura até 1,50 metros.

O objetivo foi estudar os hábitos dos condutores, identificar os problemas mais comuns no transporte infantil e analisar as consequências do uso incorreto dos sistemas de retenção.

Quase 30% dos inquiridos afirmaram ter transportado pontualmente uma criança sem cadeirinha, a maioria num percurso curto não escolar.

O estudo alerta que um acidente pode acontecer a qualquer velocidade, num grande ou pequeno percurso, dentro ou fora das localidades, sendo importante usar sempre a cadeirinha.


Crise pode levar muitos automobilistas a deixar de comprar sistemas de retenção de crianças ou utilizar cadeirinhas já completamente ultrapassadas

O presidente do ACP, explicou que "as cadeiras têm, como todos os medicamentos, por exemplo, um prazo de validade e, muitas vezes, há a tendência das famílias que já não usam as cadeiras de as passarem para outros familiares que têm miúdos mais novos".

"Muitas vezes essas cadeiras já não estão aptas para cumprir essa missão", advertiu Carlos Barbosa.

Para Carlos Barbosa, é fundamental os condutores investirem num bom sistema de retenção: "Poupem noutras coisas, porque isto é salvar a vida às crianças".

Segundo o estudo do ACP, realizado em conjunto com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e a Cybex, que inquiriu 1.856 automobilistas, quase 30% dos condutores afirmaram ter transportado pontualmente uma criança sem cadeirinha, a maioria num "percurso curto não escolar".

"Infelizmente há muitas mortes de crianças nos automóveis porque não estão devidamente retidas", disse Carlos Barbosa, adiantando que este estudo é para alertar os pais para esta situação.

O estudo visa "alertar os pais para que não podem andar com as crianças nos carros sem serem devidamente presas, seguras, com sistemas de retenção, porque é uma maneira de lhes salvar a vida", frisou.

Carlos Barbosa adiantou que, muitas vezes, com a pressa de levar as crianças ao colégio ou de "os levar à praia que é mesmo ali ao lado", os condutores não colocam os cintos nas crianças e é nesses percursos que "acontecem normalmente os desastres em que as crianças vêm a morrer".

Dados do ACP indicam que, entre 2007 e 2011, 88 crianças morreram vítimas de acidentes, metade dos quais ocorreram dentro das localidades.

Na sequência do estudo, o ACP lança hoje a campanha "A segurança responsável", com o objetivo de sensibilizar para a importância do uso da cadeirinha e a sua correta utilização.

"É uma campanha que se dirige não só aos pais, mas também às crianças, que têm de perceber que têm de andar seguras" no automóvel, adiantou Carlos Barbosa.

"Muitas vezes há uma guerra entre os miúdos e os pais, porque os miúdos quando estão com os computadores têm uma tendência muito grande a passar o braço por cima do cinto e isso é fatal, sobretudo se forem miúdos pequeninos, em que inclusivamente pode haver o problema de serem degolados se o cinto não estiver bem posto", alertou.

Questionados sobre se a segurança das crianças está a ser descuidada devido à crise, 30% considerou que sim e 28% dos inquiridos disseram não saber.

Estes dados alertam-nos para uma preocupação geral dos automobilistas que deve ser tomado como um apelo à segurança das crianças, dentro e fora do automóvel, e que tem efetivamente espaço para melhorias, salienta o estudo Proteção das crianças nos automóveis: A segurança responsável.

Quase 43% dos inquiridos utilizavam cadeirinhas usadas, mas o estudo adverte que uma cadeira usada poderá não oferecer a mesma segurança, porque além de os sistemas serem anualmente alvo de melhoria, os materiais vão perdendo a eficácia se não forem bem vigiados.


Crianças retiram os braços dos cintos de segurança das cadeiras

Relativamente aos problemas que os condutores enfrentam ao transportar crianças, o inquérito salienta um facto apontado por 42% dos automobilistas: os menores retirarem os braços dos cintos das cadeiras, procedimentos que, além de perigosos, aumentam o risco de distração do condutor e de acidente.

Mais de metade das crianças (57,03%) é transportada pelos pais, 22,79% pelos avós e 19,66% por familiares ou amigos.

Do total de inquiridos, 55% transportam apenas uma criança no carro e quase 36% duas.

Quase todos os inquiridos têm um sistema de retenção, sendo o mais utilizado (67%) o grupo dos 15 aos 36 quilos. Contudo, quase metade destes equipamentos não tem apoio de costas, não proporcionando uma proteção contra o impacto lateral.

É importante conhecer este perfil para saber como e a quem direcionar as ações de consciencialização. A preocupação não deve ser apenas formar os pais, mas todos os condutores que transportam crianças.

Mais de metade (56%) afirmou que o carro tem o sistema Isofix para fixação da cadeira, enquanto 10% disse não saber, o que condiciona muito a capacidade de escolha da cadeirinha e a sua correta instalação.

A segurança foi considerada o fator mais importante na decisão de compra, seguida da homologação europeia e da recomendação de especialistas.

Cerca de 68% procuram informação numa loja especializada, 48% na Internet e mais de 32% em revistas.

As lojas especializadas são o local preferido para comprar o equipamento (43,61%), seguidas dos hipermercados (29,43%).

Mais de 16 mil crianças foram vítimas de acidentes rodoviários entre 2007 e 2011, das quais 88 morreram, segundo o ACP.

Veja aqui os testes de impacto realizados pelo ACP.

18/03/2013

EmblemaACP

Politica de Utilização de Cookies

Este site utiliza Cookies de acordo com a política em vigor. Ao navegar em acp.pt estará a consentir a utilização dos Cookies. Saber mais