O presidente executivo da Galp afirmou hoje que a empresa “está a sofrer mais do que os consumidores”.
Perante a infeliz escolha destas palavras, o ACP, enquanto associação de defesa do consumidor, entende ser prioritário esclarecer o seguinte:

1 - Diz o presidente executivo da Galp que a “troika” investigou o funcionamento dos mercados em Portugal e que reconheceu “sem sombra de dúvida” que o mercado de produtos petrolíferos opera de forma “competitiva e eficiente. Nas 34 páginas do memorando de entendimento assinado com o Estado português, é dedicada mais de uma página às entidades reguladoras, com especial enfoque para a Autoridade da Concorrência (AdC), onde se recomenda à AdC uma “actuação independente”, “firme”, “eficaz” e “com competência”. Para bom entendedor, está dito.

2 - Ouvido em comissão parlamentar em Março, o ex-presidente da AdC, Abel Mateus, foi categórico a afirmar que em Portugal os preços dos combustíveis "sobem como um foguetão e descem como uma pena", um cenário típico "de mercados oligopólicos em que há barreiras à importação".

3 - Fruto de várias audições, a Assembleia da República aprovou, em Abril, por unanimidade, uma recomendação urgente ao Governo no sentido de que seja definido um modelo que assegure a possibilidade de livre escolha, por parte dos consumidores, às vendas de combustíveis low-cost.

4 - O lucro da Galp Energia aumentou 43% em 2010 face a 2009, atingindo os 306 milhões de euros, segundo comunicou a petrolífera  à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A evolução dos resultados foi explicada pela empresa, entre outros motivos, com "o aumento da margem de refinação”.

5 - Mais. No Relatório e Contas de 2010, lê-se que “a margem de refinação em 2010 foi de $2,6/bbl, mais $1,2/bbl do que em 2009, facto para que contribuiu a recuperação das margens nos mercados internacionais”.

6 - Posto isto, as declarações do presidente executivo da Galp, além de profundamente infelizes para os consumidores e empresas que vivem uma severa crise económica, revelam uma intenção de fazer tábua rasa de todas as recomendações das mais altas instituições políticas e financeiras.

Lisboa, 28 de Setembro de 2011.

28-09-2011